quis fazer da vida uma viagem a todos os lugares - levando ouvidos e trazendo voz
ousar
arq2629AG
Tememos tanto menos os outros quanto mais vencemos o medo de nós mesmos.
Conservadores e reaccionários

Tenho admiração por conservadores e repulsa por reaccionários. Há entre as duas espécies significativa diferença.
O conservador exalta a História, aprende com ela e deseja com ela enriquecer o futuro. O reaccionário recusa-se a aceitá-la, rejeitando o fluir do aperfeiçoamento civilizacional que é cerne e essência da História, fixando-se cegamente no presente e opondo-se a que se retire do passado o que de sólido e perene possa enriquecer o futuro.
O conservador é humilde ao extasiar-se ante a grandeza do outro, do que é outro homem de outro tempo e com outra civilização feita de outras obras e outros feitos. O reaccionário enquista-se soberbo no seu ego, nos seus privilégios e vantagens, na indiferença pelas conquistas dos antepassados e na ira contra o progresso dos vindouros.
O conservador cultiva a admiração; o reaccionário obstina-se no desprezo.
O conservador é ativo, por amor; o reaccionário é imobilista, por ódio.
arq2631JL
* Redigido com ortografia do século XX. Por amor à conservação da Língua
Parecia morto
ainda há pouco
dormente
deserto
o caminho
agora já cheio de mim
pleno deste mesmo eu
mais a multidão das minhas saudades
– esta nostalgia suave
em que me contemplo
achado no meio do que nunca perdi
– e logo aquela memória inquieta
que me enleva
no regresso ao que nunca tive









arq2609FE

será sempre o que nunca foi


momento,
um momento é o que temos,
o que teremos neste instante;
ou tivemos ainda agora
e para sempre
(pois em cada momento não é, ele próprio, tudo o que temos?).

momento único, irrepetível, este;
como todos os momentos, afinal.

aqui estás tu, neste momento,
é esta a minha hora
– parece estranho como, sendo cada hora e todas as horas um momento (apenas um), se tem repetido e se repete e sempre se repetirá esta hora –
e neste momento ela é também a tua hora.

momento tão singular, sendo tão universal,
porque é hora de todos, a mesma e igual para todos,
diferente para cada um,
tão semelhante e diversa para os outros,
tão una e única para nós.
.
neste momento passa (passou já), em rigor, uma infinidade de momentos;
uma hora que já foi, sem volta, mas que havemos de viver outra vez
– num qualquer outro momento;
único, como aquele que já foi
e tão singular como todos os dias em que ocorre,
infalivelmente, à mesma hora.
para os poetas e os amantes e os demais sonhadores, este momento
(que é um momento de todas as horas sem hora nenhuma)
é o amanhã vivido ontem
ou será o ontem esperado amanhã.

neste momento teu, instante para mim,
eclode
a nossa hora,
e é hora sem numeração, momento sem horas...
será, vai ser já já, é
Meia Noite
em ponto.
já foi.

o dia novo já continua o mesmo dia que passou. a vida não para.
ou parou, por este momento?

arq2601FE
conversar                                       

Precisamos conversar.
Não me refiro, com este plural, à generalidade das pessoas, ao ser humano ou social, como quem diz "as pessoas têm necessidade de conversa" 
Não. Falo de nós dois, tu e eu.
Parece patético dizer que deveríamos estar hoje, agora, juntos e frente a frente, talvez com as minhas mãos descansando nas tuas, certamente olhos nos olhos.
É, em boa verdade, um absurdo falar neste condicional - como um mero supor - quando é a conversar que estamos desde que comecei a escrever.
Estamos, afinal e aqui mesmo nestas palavras escritas, na mais habitual das nossas conversas, na forma mais comum de dialogar que existe entre nós:
estou eu a falar contigo como se tu existisses, como se existíssemos os dois - e existimos mesmo. Mesmo assim, como somos,
sem nos vermos nem nos tocarmos, sem tu teres nos ouvidos a minha voz nem eu ter no olfato o teu perfume - mas tendo-nos um ao outro com tudo isso, à nossa maneira, a única maneira por que nos conhecemos.
É assim que existimos, nós dois.
Nunca nos tivemos de outro modo - e é assim que nos temos durante todo este tempo em que existes na minha vida e eu na tua. Eu falo para ti, a quem tão bem vejo agora, por cima do sono que a esta hora repousa na cama do teu quarto, e tu ouves-me por detrás do silêncio que paira na sala em que estou só.
É assim que existimos, tu e eu, nós os dois.
Confortamo-nos, sentimo-nos juntos, fazemo-nos bem.
O teu sono e o meu silêncio só existem no mundo turvo e defeituoso da realidade. E esse não é o nosso mundo. Nunca foi, não tivemos oportunidade de o habitarmos juntos.
Precisávamos conversar. E aqui estamos a  fazê-lo;
aqui estou eu serenando na tua companhia, aqui te vejo a ti de olhos brilhantes perfurando o silêncio em que nunca conseguiste disfarçar-te. Entregues um ao outro, total e cristalinamente - "as usual"...
E foi bom este momento contigo,
tão bom como são todos os momentos de todos os dias que passamos juntos desde que nos conhecemos.
Disse-te tudo, em forma de nada: Nada ouviste de mim, mas nada calei; nada viste revelado, mas nada escondi. Estivemos em silêncio mas ficou tudo dito. Por ambos nós. Disse-to eu nestas palavras que estou a concluir; e ouviste-o tu no momento em que, um dia, leres esta página e confirmares que hoje, a esta minha hora (que horas são?), estiveste mesmo a ouvir de mim estas mesmíssimas palavras.
E prosseguimos; prosseguimos neste agora em que estarás a ler-me um dia; e, afinal, estivemos juntos, tão juntos e síncrones naquela noite em que sozinho te escrevo. Sem despedidas. Como se fosse até já. Sempre.
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abraços...
tantos que dei e recebi, tantos que quis dar e não cheguei a receber, tantos que tive de suster e guardei, tantos que ofereci e esperei.
esperei hoje pelo nosso abraço, esperei-nos no abraço que náo me deste - e procurei o que tem de tão único o abraço que tenho de ti, o único abraço que nos demos, na única vez que me esperaste e te encontrei.
procurei, aqui e ali e por todo o lado, todos os abraços. vi todas as cores que pode ter um abraço, e em todos os abraços que vi encontrei todas as cores que teve o nosso abraço. todos os que vi poderiam ser abraços nossos, que em todos eles nos vi.
mas não vi  em nenhum deles, nem na soma de todos eles juntos, uma sombra sequer do que foi o abraço que te dei.

esperei por ele, hoje. à hora que sempre foi a nossa, vi-te ao longe e esperei-te. não me deste, afinal, o abraço que afinal senti. com saudade do sonho - ou, talvez, num sonho de saudade apenas.
este dia é, afinal, como todos os dias. só o teu abraço, mesmo negado, é único. como tu.

arq2614JA
conservadores e reacionários

Aprecio e admiro conservadores e abomino reacionários - e há uma significativa diferença entre as duas espécies.
O conservador exalta a História, aprende com ela e deseja com ela enriquecer o futuro. O reacionário recusa-se a aceitá-la, rejeitando o fluir do aperfeiçoamento civilizacional que é cerne e essência da História, fixando-se cegamente no presente e opondo-se a que se retire do passado o que de sólido e perene possa enriquecer o futuro.

arq2530AG
O conservador é humilde ao extasiar-se ante a grandeza do outro, do que é outro homem de outro tempo e com outra civilização feita de outras obras e outros feitos. O reacionário enquista-se soberbo no seu ego, nos seus privilégios e vantagens, na indiferença pelas conquistas dos antepassados e na ira contra o progresso dos vindouros.
O conservador cultiva a admiração; o reacionário obstina-se no desprezo.
O conservador é ativo, por amor; o reacionário é imobilista, por ódio.

Trump vs Irão: loucos e malvados

23.junho.2025

A III Guerra Mundial estava prestes a estalar, pelas duas maiores potências do Médio Oriente:

Israel produz energia atómica e já dispõe de armas nucleares, não subscreveu nem aceita controlo da produção de energia atómica.
O Irão produz energia atómica sob controlo internacional e não tem armas nucleares.

Trump decidiu ajudar Israel a fazer a guerra e mandou o exército dos EUA atacar o Irão,
com o argumento de que fazia a guerra para evitar a produção de armas nucleares…

Para fazer a guerra, Trump interrompeu unilateralmente as negociações que os EUA tinham em curso com o Irão, não pediu autorização ao Congresso americano, e considerou que os serviços de segurança americanos estavam errados quando relataram que os iranianos não estavam a produzir armas nucleares nem em condições de as produzir. Anunciou que decretara a guerra e ordenando a agressão com base no seu “instinto”.

Trump mandou iniciar a guerra. Não teve o consentimento do Congresso – mas entende que ele não carece de autorizações de ninguém, nem deve respeito a leis.

Depois de devastar o Irão, utilizando a bomba mais poderosa e letal de que os EUA (e nenhum outro país) detêm, Trump decretou, por mensagem pessoal nas redes sociais, o “cessar fogo” entre Israel e o Irão – que continuaram a bombardear.

Trump declara que é “um homem de Paz”, justificando que foi pelo seu “instinto” que rasgou a seu belo prazer o Acordo de Paz que os EUA tinham há 10 anos em vigor com o Irão e estava a ser controlado por técnicos e diplomatas americanos. Acha-se, por isso, merecedor do Prémio Nobel da Paz...


24.junho.2025

Israel e o Irão aceitam o “cessar fogo”. E continuam a bombardear-se.

O Pentágono revela que a devastação das bombas de Trump não destruiu as instalações nucleares do Irão. Trump acha que o seu “instinto” conta mais do que os avisos dos seus Serviços de Segurança e a investigação do Pentágono.

Trump vai à cimeira da NATO exigir que os seus aliados (ex-aliados!) europeus paguem mais pela permanência na Aliança e… tratem de se defender sozinhos da invasão de Putin, atual maior amigo e guru de Trump. O amanuense da NATO envia mensagem pessoal bajulando o ditador por ter posto a Europa a “pagar à grande” para defender (sozinha) a Paz. Trump vangloria-se, divulgando a mensagem nas redes sociais.

A União Europeia, galinha sem cabeça cuja direção a eurodeputada Marta Temido acaba de denunciar como antro de interesses privados de elites oportunistas, faz uma envergonhada vénia a Trump e assevera que continuará a feira de vãs promessas de apoio à Ucrânia invadida e à defesa da Democracia.

A UE, ímpar e luminoso projeto político e social que ainda há uma geração se afirmava no Mundo como continuador do papel de farol da Cultura Humanística e da Civilização moderna, chegou aqui. Sem grandes sinais de quem lhe sustenha o declínio.

A guerra de invasão russa continua – e agora com mais massivo terrorismo sobre as cidades e a população civil. E Trump continua “empenhado” em que a Europa aceite a Paz… entregando-se a Putin.

13.jun.2015

Homenagem
na comemoração dos 25 anos
da Associação Cultural da Beira Interior
Igreja Matriz do Fundão

(...) eu tive, ontem, o privilégio de estar entre os que foram tocados por essa luminosa gratificação. Pela via da mais pura e íntima das artes, a minha amada Música, essa “linguagem dos deuses” (...)

Festa em modo maior

Estrelas com Música
Fernando Paulouro Neves ......--------------------------------.............in Notícias do Bloqueio

Penso que li um dia um poema de Eugénio de Andrade (é a minha memória que me conduz) que fala, a propósito da música, de uma procura criadora que é uma espécie de desafio para chegar a uma "inalcançável estrela". Era, no fundo, o poeta a dizer-nos que a divina arte tem dentro de si alguma coisa que é própria dos deuses. É um olhar porventura comum aos domínios da criação artística, mas o Eugénio tinha um fraquinho pela música e gostava de falar nos seus compositores do coração. Mas tinha, também nessa matéria, uma cultura vastíssima. Lembro-me bem de como, uma vez, pelas ruas de Praga e à beira do rio, ele me falou da música de Smetana, que nunca mais esqueci como dimensão sinfónica de Praga e do Moldava. Eu lembrei-me hoje desses instantes, que a memória gradua e arquiva como essenciais, quando assistia ao concerto, na igreja matriz do Fundão, de encerramento das comemorações do 25.º aniversário do Coro Misto da Beira Interior, obra que o maestro Luís Cipriano sonhou e deificou neste nó de terra.
Honra

6.Dez. 2013
Condecoração pela Ordem dos Advogados
(Medalha de Mérito Profissional e Cívico)

Momentos de glória

Out.1993 - Concurso 'A Filha da Cornélia', 1ª participação (RTP 1)
Fev.1992 - Concurso 'Palavra Puxa Palavra', grande prémio final (RTP 2)

 . . 

Regresso às origens

22.Nov.1969
No tempo dos bailes de finalistas, a emoção da música vivia-se em dois planos: na pista de dança do salão e no palco. Uma vez (sem exemplo) acumulei os dois - na minha festa, alternei entre as duas paixões.

17.Abr.2020
Experimento o regresso à bateria, paixão primeira e de sempre. Como quem nada sabe. Como se uma pausa na aprendizagem do piano e da grande música.


A fantasia surge do nada e desvanece-se num ápice - dura minutos, quiçá meses e foge por saturação.
O sonho, por sua vez, nasce de uma vontade, existe por um propósito e, por isso, dura e perdura pelo tempo - sem prazo nem cansaço. O tempo que dura é a prova da verdade e da essência do seu existir. Existe, sim. Sempre.

19.março.2021 Cruzando Memórias

 

COM 3 COLOSSOS DO ROCK SINFÓNICO
Led Zeppelin + Genesis + Chicago

Cover de Bateria - Budy Rich Band (Mercy, Mercy, Mercy)
Out.2024

 

Cover de Bateria - Chicago (Make me Smile suite)
Out.2024

 

Cover de Bateria - Firth of Fifth (Genesis)
Out.2024

 

Cover de Bateria - Do I do (Stevie Wonder, por Chrissi Poland com Dave Weckl)
Nov.2024