quis fazer da vida uma viagem a todos os lugares - levando ouvidos e trazendo voz
Costa e Rio

Para impedir Rui Rio no PSD, Menezes, Relvas e Passos são capazes de tudo.
Para impedir Costa no PS, Seguro e os seus boys são igualmente capazes de tudo.

E, tirando estes dois homens, Rio e Costa, e pouco mais, não há no sistema partidário quem pudesse dar corpo a uma alternativa que desse esperança aos portugueses de que não estão condenados a uma austeridade sem fim, num ambiente de medo e empobrecimento. E que salvasse a deriva antidemocrática que cresce todos os dias. E nos fizesse voltar a uma soberania honrosa.
Por difícil que seja, por maiores que sejam as incompreensões, esperando a maior das hostilidades e todos os golpes baixos e altos, não contando com qualquer complacência da comunicação social, que participa na mesma mediocridade do sistema político actual com quem vive numa grande promiscuidade, e sem se preocuparem com sucessos garantidos, ou qualquer certeza antecipada, correndo o risco de não fazerem mais do que um gesto quixotesco, deviam falar entre si, às claras, sem disfarces, entenderem-se em tudo o que se podem entender - e muito é - e depois dirigirem-se aos seus partidos e ao país, numa atitude coerente com a ideia que ambos têm de que o país está mesmo numa situação de emergência nacional.
Ambos têm boas relações pessoais, e não tenho dúvidas de que nos pontos fundamentais sobre o retorno do país a uma normalidade democrática estão de acordo. Ambos têm uma consciência aguda do papel da partidocracia na crise, ambos tem experiência governativa local e nacional, ambos são moderados e capazes de falar com muita gente, do CDS à CGTP, ambos defendem que Portugal não pode "rasgar o memorando", mas que deve negociar a sério a sua execução, ambos são europeístas e atlantistas, ambos são capazes de mobilizar os mais capazes sem medo da sua sombra, ambos são honestos e hostis à corrupção, vivem vidas modestas e não são deslumbrados, ambos são firmes e determinados. E acima de tudo, ambos têm uma aguda noção da crise do seu país. E não me venham com grandes "mas", porque nesta altura vale mais a vontade do que as condições. Melhor ainda: as condições dependem da vontade.

* citado de José Pacheco Pereira