O pin
Os homens do Governo inventaram, praticam e impõem a si mesmos uma nova moda:
Andam todos de pin na lapela.
Os homens do Governo inventaram, praticam e impõem a si mesmos uma nova moda:
Andam todos de pin na lapela.
Com aquele sentido de estado que remete o patriotismo para a lapela do casaco, digo blaser, os consultores de propaganda redescobriram o pin. Quem não usa pin não acredita no sucesso do país, boicota o progresso de uma sociedade sem subsídio de férias, é um detractor do avanço que o para-além-da-troika trouxe à redução da despesa pública de 100 para 120%, um pessimista com o triunfo das medidas de generalização do desemprego, um piegas que tem medo de trabalhar a 2.500 km de casa, um calão que desperdiça o sem número de oportunidades que lhe oferecem quando o despedem do trabalho, um ímpio que não vai a Fátima acompanhar as preces da Ministra da Agricultura para que chova. Quem não pina a bandeira nacional na lapela, em suma, não sabe governar, nem orar no Parlamento, nem representar no estrangeiro, nem abrilhantar os convívios no Clube Recreativo de Massamá.
Em suma, aqueles a quem não pinaram na jaqueta não têm linhagem. Nem lugar público possível. Para isso, acima de tudo, serve o pinanço. Tal como o nacional-socialismo marcava uma estrela de David no braço dos proscritos, o nacional-kitchismo decidiu que os eleitos pinam-se.
Não sabemos quem teve a ideia do pinanço. Mas Passos Coelho desatou a pinar mal chegou a S. Bento. Todos supomos que Paula Teixeira da Cruz já pinou. Já todos sabemos que Paulo Portas foi pinado. E não é difícil imaginar que nos corredores de S. Bento a conversa mais corrente entre jotinhas e/ou jotinhos passa pelo “o menino já pina?”. E que sim, que se te pinaram a ti eu também quero que me pinem, que ainda tu não sabias qual era a capital da Geografia já eu pinava, e je pense donc je pine, jawohl ich pinn. Pin is...
E o pinanço vai generalizar-se, portanto. Com a atracção que têm pelas (pe)pineiras, a seguir às empresas públicas, aos institutos, às fundações e às IPSS, os autarcas não hão-de resistir, agora que está em lançamento a rampa de lançamento edição 2013. Ele há-de ser presidentes de câmara – e logo após os vice e vereadores e assessores e secretários e consultores e assistentes – e presidentes de junta e demais membros da mesma. Pífaros com bombos na lapela - e tudo pina, minha gente. Pinanço, já!.
E eu, confesso, sempre que me lembro de que estou no mandato para que me elegeram quando ainda havia oposição, já me vejo a reforçar as defesas à entrada para a próxima sessão: Não me pinem!
