No dia 22 de Junho de 1974 morreu em Genebra o compositor e professor francês Darius Milhaud. Tinha nascido no dia 4 de Setembro de 1892, na Comuna de Aix-en-Provence, membro de uma família judaica. Paris seria, no entanto, a cidade em que estudou música, em que viveu a mais importante parte da sua vida e em que alcançou celebridade. Fez parte do chamado “Grupo dos Seis”, no seio do qual desenvolveu uma enérgica reacção ao wagnerismo e ao impressionismo musical. Les Six, como passou a ser conhecido este grupo de compositores franceses instalados em Montparnasse integrava, entre outros, Erick Satie, Jean Cocteau e Francis Poulenc.
Ainda jovem, Milhaud trabalhou como voluntário no Brasil. Essa época marcou muito a sua vida, reflectindo-se em obras como a suíte de dança Saudades do Brazil ou a famosa peça Scaramouche.
Em 1922 viajou pelos Estados Unidos e ouviu pela primeira vez o jazz “autêntico” nas ruas do Bairro de Harlem, em Nova Iorque. A partir de então passou a compor com forte influência do jazz, que, inclusivamente, utilizou na obra “A Criação do Mundo”, um bailado em seis cenas contínuas.
Além de compositor, Milhaud notabilizou-se como professor. Essa sua actividade valer-lhe-ia a sobrevivência na América, durante a ocupação da França pelos nazis na II Guerra Mundial. Terminou a vida preso a uma cadeira de rodas e morreu em Genebra, aos 81 anos de idade.
Para a resenha biográfica (publicada na Pegada, tal como a foto do compositor reproduzida na coluna ao lado) António Filipe escolheu um stream de video diferente do que eu aqui divulgo.
Com a devida vénia ao biógrafo e todo o respeito pela obra que ele escolheu (Le Boeuf sur le Toit, em versão orquestral), eu aproveito a efeméride para registar um outro filme e com um andamento de uma outra obra do compositor francês.
'Brasileira', a terceira peça da suite 'Scaramouch' (aludida por Filipe na biografia) é uma das minhas mais dilectas peças de piano. Apaixonou-me quando a ouvi pela primeira vez, numa fantástica interpretação de Pedro Burmester e Mário Laginha, então dois jovens. Ao vê-los e ouvi-los em palco, fiz um duplo vaticínio: obra e pianistas para repetir muitas vezes. Acertei!
No video acima, Marta Argerich e Nelson Freire.