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Novas Oportunidades: morrer antes da reforma

Enquanto se aguardam o resultado e as conclusões do estudo determinado pelo ministério de Nuno Crato e avaliação da rede nacional dos CNO para “rever a dimensão da rede” e privilegiar os CNO “cuja qualidade de formação é mais elevada”, o Governo decidiu hoje encerrar nove Centros Novas Oportunidades.
O Instituto Politécnico de Leiria e a Escola Superior de Educação de Portalegre foram destinados à mesma prematura morte que outros sete centros até aqui a funcionar em Agrupamentos e Escolas Secundárias e Básicas. Mas muitos outros denunciaram já que em 31 de Dezembro deverão fechar portas, dada a “falta de garantias de continuidade” – num momento em que a grande maioria das candidaturas em curso ainda está sem resposta.

A realidade começa a precipitar-se: o programa Novas Oportunidades tem o fim traçado.
A estatística não está feita. Ninguém saberá, hoje, dizer a quem agrada e a quem desagrada a opção de eliminação desta “3ª via” de acreditação das competências que a escola e a sociedade negaram em tempo mais devido àqueles que inscrevem nos seus curricula apenas a “escola da vida”. Valer mais a tarimba do que Coimbra é princípio que se revogou. Os exemplos – do inventor que, depois de repetidamente premiado no estrangeiro, chorou ao receber o seu 1º diploma de escolaridade num CNO, do calceteiro que, condecorado por 25 anos de excelência na singularidade do tratamento de património histórico, teve de obter equiparação ao 12º ano para concorrer ao lugar público que era seu até pela inexistência de concorrentes, e os outros que serão dezenas, centenas ou milhares – os exemplos passarão a ser apenas exemplos Ganham, afinal, direito a ser conjugado no plural aquilo em que tornaram as suas vidas.

Aí está, seca e friamente, o fim das Oportunidades – das novas chances dos que ficaram velhos antes do tempo. E dos que, despedidos aos 40, 45, 50 anos de idade, são demasiado velhos para conseguir outro emprego, nasceram demasiado tarde para auferirem de subsídio de desemprego, são demasiado novos para pensar na reforma.
Outras oportunidades virão – ou não.

[Tony Benn – entrevista (extrato) 54 segundos]