25 de Abril.
Memória de Dias Novos
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Grande tema do Jornal do Fundão de 27.Abr.2007:
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HÁ trinta e três anos, a liberdade
Um Jornal na Revolução de Abril
Trinta e três anos depois, é bom regressar ao dia 25 de Abril de 1974 e rever a transformação do tempo, perceber os dias diferentes que se começaram a viver. O despertar da liberdade, a construção da democracia – o bê-á-bá da dignidade.
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QUEM conheceu o antes e o depois, quem viveu a dicotomia do tempo opressão/Liberdade, quem suportou o látego da repressão, ainda hoje, tantos anos depois, se revê na alegria estuante da caligrafia de cores de Maria Helena Vieira da Silva (”A poesia está na rua”) ou se comove com os versos de Sophia quando saudou o 25 de Abril como “o dia inicial inteiro e limpo”. Não é possível estabelecer aproximações, sequer, sobre os tempos diferentes que, a partir dessa data, marcaram o século XX português.
Talvez nada defina melhor essa mudança de qualidade do que a liberdade de expressão à volta da qual gravitam os direitos elementares. Porque o medo – cujo peso sobre a mentalidade portuguesa tão bem foi referenciado pelo Prof. José Gil – deixou marcas traumáticas na sociedade portuguesa.Vamos, pois, à descoberta do novo dia na memória de um Jornal na Revolução. Detemo-nos na edição de 5 de Maio, já inteiramente livre da censura. A edição anterior ainda foi ferida pelo controle censório – o 25 de Abril aconteceu a uma quarta-feira, já com a edição em fecho – mas ainda foi possível dedicar toda a primeira página ao acto revolucionário, com destaque para a “Proclamação da Junta de Salvação Nacional”.
Um jornal em liberdade
“Ainda não há uma semana. Esta revolução da flor, da paz, da alegria, da liberdade, tem apenas alguns dias. Mas cada minuto foi um tempo verdadeiro de acção e coragem. A vigilância insone, a actuação firme e inteligente, a decidida tomada de posições deram a este breve período o lugar histórico que, ao longo dos séculos, Portugal raramente viveu”. É o começo do editorial de António Paulouro intitulado “Agora, Nós, Portugueses”. “A madrugada de 25 de Abril é já manhã clara porque, com total dignidade, a Junta de Salvação Nacional está a cumprir o programa anunciado. A libertação dos presos políticos, a extinção da PIDE e da censura, o regresso dos exilados, o direito de reunião e associação – direitos que uma constituição fraudulenta prometia e um simples decreto anulava – tudo quanto tem acontecido, em fraternidade e compreensão, mostra que as Forças Armadas deram até à informação oficial uma nova face. À mentira hierarquicamente organizada, ferozmente mantida, sucedeu a confiança na palavra dada. Esta a primeira vitória. Enorme, se tivermos consciência do que foi possível em quarenta e oito anos de frustrações e temores”.
Como foram os primeiros dias, após Abril, na Beira Interior?
Há manifestações um pouco por todo o lado nesta geografia de Abril.
Na Covilhã, “milhares de pessoas manifestaram o seu apoio ao Movimento das Forças Armadas”. As palavras dos oradores – Raposo de Moura, capitão Pais de Carvalho, Maria Simões, João Neves, António Morão, José Pinto de Sousa, António Gascão, Neves Dias, Luís Filipe Mesquita Nunes, José Lemos, José António Pinho e Antunes Ferreira – respondiam, a cada passo, à vibração do mar de gente que enchia o Pelourinho – “uma praça de gente madura, a pensar”, como dizia a canção do Zeca.
No Tortosendo – terra que tanto sofreu a repressão fascista – um dos oradores foi José Ribeiro, que bem se pode dizer que foi grande figura da Resistência, a que se juntaram as vozes de Américo de Oliveira, António Gascão, Alberto Oliveira, Quelhas Calado, Luís Filipe, José António Pinho, Pe. Hipólito Jerónimo, Raposo de Moura, Antunes Ferreira, José Pinto Sousa.
Em Castelo Branco, o mesmo eco colectivo: “É preciso apoiar o Movimento das Forças Armadas”. Multidão no largo fronteiro à Câmara e palavras de esperança proferidas por Albano Pina, Fernando Simões, Mário Branco, José Pracana, Madalena Paulouro, Manuel João Vieira, José Valentim, Luciano de Almeida. A reportagem dá conta de uma manifestação dissonante do MRPP que reclamava independência total para as colónias.
No Fundão “o povo veio para a rua vitoriar a queda do regime”. Diz a reportagem: “Um grito ecoava na Praça do Município: o povo unido nunca mais será vencido!” Presente uma delegação do Regimento de Cavalaria 8, chefiada pelo major Gomes da Silva. No meio de grande entusiasmo popular, falaram sobre o momento histórico que se vivia Sousa Seco, Gomes da Silva, José Felisberto, António Paulouro, Esteves Ladeira, Maria do Céu Lapa, António Gascão, José Pais Martins, Costa Júnior, Fernando Paulouro Neves, António Gil e Antunes Ferreira.“As ruas do Fundão foram depois percorridas por centenas de pessoas que vitoriavam o Movimento das Forças Armadas, gritando: o povo unido jamais será vencido. À porta do nosso jornal, os manifestantes fizeram breve pausa e cantaram o hino nacional”, escrevia-se na reportagem.
Na Guarda, grande aplauso e adesão patriótica ao 25 de Abril. Assinalava-se que “o Regimento de Infantaria 12, aqui aquartelado, participou nas tarefas do “golpe de Estado” guardando a fronteira de Vilar Formoso, uma das principais portas do país para a Europa. A manifestação decorreu às portas do Quartel do Regimento de Infantaria 12. João Gomes e o estudante António Pinheiro proferiram palavras vibrantes de saudação às Forças Armadas.O Jornal na Revolução publica a declaração de princípios do Partido Socialista Português e transcreve o primeiro documento do comité central do Partido Comunista em que se define a posição do PCP face ao 25 de Abril.Um texto fala de “Portugal e o Futuro”. “No livro, o acelerar da queda”, escreve o JF.
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Por: Fernando Paulouro Neves