quis fazer da vida uma viagem a todos os lugares - levando ouvidos e trazendo voz

25 de Abril
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Comemorar porquê?
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No país, o Presidente Cavaco fez na A.R. um discurso pelo menos ambíguo, ao questionar a comemoração do Dia da Liberdade pela sessão solene do Parlamento. Se a escolha do tema protocolar é desde logo muito pouco apropriada para a pessoa, o local e a data, o modo desconchavado com que Cavaco o introduziu fez cheirar a que não ia dizer bem o que lhe ia na alma - e a substância do que disse é de uma falta de consistência e de congruência confrangedoras: aparentando fazer da questão uma "ponte" para a falta de iniciativas mais implicadoras do Povo e da juventude que nasceu já em tempo de liberdade (até podia dar a impressão de estar a exaltar a comemoração mais ampla e significativa...) acabou por ficar num vazio de ideias que, integrado pelo que disse de seguida, mais pareceu a apologia da desnecessidade de festejar o 25 de Abril.
A Esquerda não gostou. A Direita aplaudiu. José Sócrates achou "adequado", continuando (também ele com alguma ambiguidade) num aplauso às palavras com que Cavaco apelou a maior "nobreza" da classe política no exercício da actividade pública.
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Na região da Madeira, Alberto João falou contra quem ele entende que são os "fascistas", no meio de incidentes com militantes de um outro partido (de direita) que não o seu - depois de ontem ter ameaçado o Continente com ideias separatistas. Igual a si mesmo - e pela certa admirador das palavras de Cavaco, que de resto parecem ter sido proferidas para lhe não desagradarem a ele, também.
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Na capital, inauguração do polémico Túnel do Marquês, em paralelo com o anúncio de que o (ex)Vice-Presidente da Câmara, Fontão de Carvalho, foi constituído arguido em mais um processo de mixórdia económica, e de que o PSD da região de Lisboa quer o afastamento de Isaltino Morais da actividade autárquica, também por motivos de crimes na área económica. O PSD em baixa, no mesmo dia em que também Fernando Ruas, autarca-mor de Viseu, passou a ser arguido por incitamento à violência e à desordem contra as autoridades ambientais.
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No Fundão, 25 de Abril à séria, com o Povo a sair à rua, num monumental buzinão contra o negócio dos parquímetros, que entregou o espaço público, beneficiado com o dinheiro público, à exploração privada de um consórcio privado constituído à pressa para cobrar dos munícipes vinte vezes mais do que dá de renda ao Município. Marcado para a hora da reunião da Assembleia Municipal, o buzinão fez a população esquecer os discursos dos assembléus e concentrar-se na livre fruição do que é seu pelo Direito Natural: as ruas da cidade. Importante teste à liberdade de indignação de uma população que a maioria camarária pensava ter "na mão" - e simbólico prenúncio de que o "estado de graça" de Manuel Frexes y sus muchachos já era...