
...
O vendedor de espinhos subiu ao palanque, para falar aos agricultores. E disse:
- Camaradas agricultores: ganhamos! Ganhamos! Tereis agora terra produtiva e fértil, graças a este pacote que vos apresento e ao aumento de adubo que me vejo forçado a exigir-vos.
Levantou-se, como impelido por uma mola, o vendedor de cascas:
- Aumento do adubo?!! Devia envergonhar-se, o senhor, que subiu a esse palanque prometendo que não haveria aumento do adubo!
Retorquiu, sobranceiro e grave, o vendedor de espinhos:
- Não há alternativa: É preciso aumentar o adubo; não vejo onde plantar as minhas flores… quer dizer, nunca imaginei o deplorável estado a que as cascas dos citrinos fizeram chegar as terras!
Insurgiu-se entumecido o vendedor de cascas:
- Calma aí! O senhor tinha de saber que nesta terra nunca haveria citrinos com sumo, depois do sorvedouro de adubo que encontrámos quando há quatro anos varremos os espinhos.
Atalhou-o o vendedor de espinhos:
- Pois e o senhor atreve-se…?! Reclama que eu e o meu ramalhete façamos a terra produzir depois da pesada herança que os senhores nos deixaram?!
E voltou o vendedor de cascas:
- Então o senhor cobriu os agricultores de promessas e agora é que vem insinuar que lhe deixei herança…! Eu não lhe deixei nada!
(comentam os agricultores: - “lá isso não deixou…!”)
Aproveitou a confusão o vendedor de espinhos:
- Neste pacote que vos trago está o único remédio para a surpresa com que foi colhido pelo despudorado desperdício de adubo que a proliferação de cascas consumiu para proveito próprio… deixando a morrer de inanição estas boas e férteis terras!
E volta o vendedor de cascas:
- O pacote que o senhor tanto apregoa é igual ao NOSSO pacote, pacote genuíno dos citrinos. O nosso pacote é o único capaz de combater a proliferação de espinhos que encontrámos há quatro anos. Não deixaram um palmo de terra arável! Estávamos a limpá-la centímetro a centímetro, quando ilegitimamente nos fizeram descer do palanque!
E volta o vendedor de espinhos:
- O vosso pacote mergulhou a agricultura neste deprimido pessimismo!
E volta o vendedor de cascas:
- Pessimismo?!! Pessimismo foi o que eu encontrei há quatro anos!
- O pessimismo é hoje maior!
- O senhor quer dizer que o seu pessimismo de hoje é maior que o meu de há quatro anos?!
- Digo-lho, sim. E digo-lhe mais: pessimismo, pessimismo, é o meu, medido e contabilizado até às centésimas!
- Até às milésimas o darei eu a conhecer aos nossos agricultores no fim deste quadriénio!
- Engana-se! Estas terras estarão a produzir, finalmente! Só precisamos de aumentar a dose do adubo às minhas flores. O meu pacote exige reforço de adubo agora, mas exijo-o em nome do futuro – dentro de uns anos a terra há-de medrar.
- Conteúdo e eficácia tem o pacote de crescimento dos citrinos!
- Do pacote dos citrinos, o que sobrou para os agricultores? Cascas e mais cascas! E a agricultura no pessimismo!
- Isso é encenação! A agricultura só está pessimista por causa do aumento de adubo que o senhor exige!
(Clamam os agricultores: “Pessimistas estamos… lá isso estamos…”)
- O senhor quer dizer que…?
- E o senhor quer dizer que…?
(E os agricultores viraram costas, desinteressando-se dos pacotes do estrume).
- Camaradas agricultores: ganhamos! Ganhamos! Tereis agora terra produtiva e fértil, graças a este pacote que vos apresento e ao aumento de adubo que me vejo forçado a exigir-vos.
Levantou-se, como impelido por uma mola, o vendedor de cascas:
- Aumento do adubo?!! Devia envergonhar-se, o senhor, que subiu a esse palanque prometendo que não haveria aumento do adubo!
Retorquiu, sobranceiro e grave, o vendedor de espinhos:
- Não há alternativa: É preciso aumentar o adubo; não vejo onde plantar as minhas flores… quer dizer, nunca imaginei o deplorável estado a que as cascas dos citrinos fizeram chegar as terras!
Insurgiu-se entumecido o vendedor de cascas:
- Calma aí! O senhor tinha de saber que nesta terra nunca haveria citrinos com sumo, depois do sorvedouro de adubo que encontrámos quando há quatro anos varremos os espinhos.
Atalhou-o o vendedor de espinhos:
- Pois e o senhor atreve-se…?! Reclama que eu e o meu ramalhete façamos a terra produzir depois da pesada herança que os senhores nos deixaram?!
E voltou o vendedor de cascas:
- Então o senhor cobriu os agricultores de promessas e agora é que vem insinuar que lhe deixei herança…! Eu não lhe deixei nada!
(comentam os agricultores: - “lá isso não deixou…!”)
Aproveitou a confusão o vendedor de espinhos:
- Neste pacote que vos trago está o único remédio para a surpresa com que foi colhido pelo despudorado desperdício de adubo que a proliferação de cascas consumiu para proveito próprio… deixando a morrer de inanição estas boas e férteis terras!
E volta o vendedor de cascas:
- O pacote que o senhor tanto apregoa é igual ao NOSSO pacote, pacote genuíno dos citrinos. O nosso pacote é o único capaz de combater a proliferação de espinhos que encontrámos há quatro anos. Não deixaram um palmo de terra arável! Estávamos a limpá-la centímetro a centímetro, quando ilegitimamente nos fizeram descer do palanque!
E volta o vendedor de espinhos:
- O vosso pacote mergulhou a agricultura neste deprimido pessimismo!
E volta o vendedor de cascas:
- Pessimismo?!! Pessimismo foi o que eu encontrei há quatro anos!
- O pessimismo é hoje maior!
- O senhor quer dizer que o seu pessimismo de hoje é maior que o meu de há quatro anos?!
- Digo-lho, sim. E digo-lhe mais: pessimismo, pessimismo, é o meu, medido e contabilizado até às centésimas!
- Até às milésimas o darei eu a conhecer aos nossos agricultores no fim deste quadriénio!
- Engana-se! Estas terras estarão a produzir, finalmente! Só precisamos de aumentar a dose do adubo às minhas flores. O meu pacote exige reforço de adubo agora, mas exijo-o em nome do futuro – dentro de uns anos a terra há-de medrar.
- Conteúdo e eficácia tem o pacote de crescimento dos citrinos!
- Do pacote dos citrinos, o que sobrou para os agricultores? Cascas e mais cascas! E a agricultura no pessimismo!
- Isso é encenação! A agricultura só está pessimista por causa do aumento de adubo que o senhor exige!
(Clamam os agricultores: “Pessimistas estamos… lá isso estamos…”)
- O senhor quer dizer que…?
- E o senhor quer dizer que…?
(E os agricultores viraram costas, desinteressando-se dos pacotes do estrume).