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(...) ao dizer, ao denunciar, ao dar voz à consciência colectiva da comunidade, a Liberdade de Imprensa presta um inestimável serviço público. E, tanto assim é, que os organismos supranacionais, cientes da contingência da promiscuidade entre o público e o privado, e também da responsabilização maior que deve ser acometida à área política e seus agentes, não páram de recomendar uma acrescida valorização da liberdade crítica e da concretização da Liberdade de Imprensa. Há meses, Francisco Teixeira da Mota, no 'Público', a propósito da questão da Liberdade de Imprensa, lembrava: "No domínio da liberdade de opinião no debate público/político, por exemplo, é particularmente interessante a jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. A partir do Acórdão Lingens v. Áustria, de 8 de Julho de 1986, por exemplo, os alicerces do requisito 'moderação' ou 'adequação' nas notícias passaram a estar abalados no domínio do debate político e da formação da opinião pública, em especial sobre os actores políticos. Na verdade, exigir, de forma rigorosa, 'moderação' ou 'adequação', por exemplo, num artigo de opinião que se ocupa de figuras públicas, nomeadamente políticas, que não usam, em geral, de moderação, é impedir a formação de uma opinião pública livre e esclarecida. A afirmação do presidente norte-americano Truman de que 'quem não suporta o calor não deve trabalhar na cozinha' (...) continua válida no sentido em que os actores públicos têm de suportar uma compressão do seu direito à honra ou mesmo à privacidade, em função de uma 'configuração' da liberdade de expressão e de imprensa enquanto estruturantes do Estado de direito democrático... de forma a assegurar a máxima transparência ou a mínima opacidade da res publica". Claro que políticos e agentes de negociatas têm o coração sensível. Como aqueles do poema de Sophia que não gostam de matar galinhas, mas gostam de comer galinhas...
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* Fernando Paulouro Neves, editoral do JF de 8.Abr.2005