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A campanha pós-eleitoral e os comentários que tenho lido e ouvido na imprensa estão a dar-me uma curiosa vontade de perguntar aos ideólogos José Gomes Ferreira, Camilo Lourenço e João César das Neves o que é que eu penso, o que quero e quem sou eu.
Há muitos portugueses como eu com vontade de perguntarem a Passos e Portas e ao seu trio de ataque J.Gomes Ferreira - Camilo Lourenço - J.César Neves o que é nós próprios pensamos e quisemos quando votámos.
Há muitos portugueses, como eu, curiosos de saber em que parte nos enganámos quando avaliámos o programa estatutário do PS e o de PSD e CDS.
Há muitos de nós intrigados com o analfabetismo momentâneo de que devemos ter sofrido quando lemos os programas eleitorais do PS, do BE e do PCP medidas, propostas e estudos para uma séria mudança e quando lemos na linha única do programa eleitoral de PSD/CDS "continuar a política dos últimos 4 anos".
Há muitos portugueses, muitos mais ainda, que esperam de Cavaco o milagre de nos "curar" da surdez que nos fez ouvir, durante 4 anos e mais 3 meses de campanha eleitoral, o PSD e o CDS jurar que com o PS nunca quereriam entender-se, ao mesmo tempo que ouvimos dizer ao PS que o seu programa e os seus ideais eram os de defender os trabalhadores, classe média, pensionistas e pequenos empresários que a esquerda defende e o PSD/CDS tem atacado.
Em suma, há muitos portugueses, como eu, que até se dispõem a ouvir Passos, Portas e o seu trio de ataque explicarem-nos o que é que nós próprios pensamos, o que é que nós próprios queremos, do que é que nós próprios gostamos - e, por isso, o que é que o nosso próprio voto significa.
Há mesmo muitos portugueses como nós. Somos cerca de 8 milhões, curiosos de ouvir dizer a Aníbal e seus exterminadores implacáveis que o facto de não termos estado ao lado de Passos e Portas significa que... queremos que Passos e Portas continuem a governar.
