quis fazer da vida uma viagem a todos os lugares - levando ouvidos e trazendo voz
O futebol é que instrói

Num país presidido por um atrasado mental e governado por uma quadrilha de delinquentes que cometem sucessivos crimes de traição à Pátria e ultraje à Humanidade, chegou o dia em que, enquanto o gang no poder anunciou que não vai acatar as decisões dos tribunais e continuará a rapinar o património público - a malta concentra-se a discutir a bola.
A felicidade da Nação e, quem sabe?, o futuro da Humanidade estão hoje a ser teorizados por gente de profundo pensamento que nunca leu Camões, não sabe quem foi Voltaire, não distingue uma balada de Chopin de uma sonata de Beethoven, não faz ideia de em que século viveu a Europa o iluminismo - enfim, não atingiu ainda o mais básico patamar do homo sapiens do séc. XX - mas argumenta "sábias" teorias sobre Jesus (o Jorge) e Silva (o Marco).
E o mais miseravelmente confrangedor neste estado de sub-humanidade é que, se de um lado vêm uns vilipendiar um profissional que no final do contrato de trabalho teve a ousadia de celebrar um novo contrato (o homem deveria ter-se comportado como verdadeiro escravo, à ordem do seu dono...) do outro lado a coisa fia mais fino: os frustrados que todos os anos começam a cantar vitória e acabam com o rabinho entre as pernas saem hoje à rua, quais fanfarrões, a bater palmas a um escroque que foi buscar dinheiro ao tráfico de ditadores africanos para conspurcar a instituição que o acolhe, declarar guerra aos seus pares, comprar a dignidade de outrém por dez reis de mel coado e, cereja no topo do bolo, dizer alto e bom som que não tolera junto de si homens sérios e cumpridores da palavra.
Estamos em ano de eleições - mas para que servem elas? Não vemos todos os dias na rua aqueles que vão votar?!