quis fazer da vida uma viagem a todos os lugares - levando ouvidos e trazendo voz
Laissez faire, laissez passer, le vol va de soi-même

A História Política dos primeiros anos do século XXI revela, já ou para já, uma nova norma de relação da economia com o político liberal: os mais vendedores são os vendidos.
Para recrutar os políticos que tudo vendem (TAP, EDP, REN, etc.) bastou à selva de lobbies e gangs encontrar quem primeiro e mais facilmente se vendesse. Tão simples como, do mesmo modo, para ter quem tudo comprasse (submarinos, etc. etc.) lhe bastou entronizar aqueles que mais facilmente conseguiu previamente comprar.
Para os que se vendem, tudo se vende. Para que tudo comprem, basta poder comprá-los.
Vendem tudo e barato, compram tudo e caro. Feito fácil. Vendem barato porque o maior preço é o deles próprios, compram caro porque a maior pechincha são eles mesmos – e tudo dá o mesmo lucro: o deles. Porque o património que vendem barato não é perda deles, porque o lixo que compram caro não é pago com dinheiro deles. Eles, os políticos ditos liberais, estão a escrever as novas regras da separação entre o interesse privado (o deles, que sempre ganha) e o interesse público (o que eles sempre fazem ficar a perder).
Eis, tão linear, a verdadeira raiz da falência da democracia representativa. Afinal, defender cada um o seu próprio interesse não é o princípio fundamentante do liberalismo?

[Recorte da 1ª página do Diário de Notícias]