quis fazer da vida uma viagem a todos os lugares - levando ouvidos e trazendo voz
Europeus do sul - servilismo e soberania
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Enquanto ninguém disser na cara do senhor primeiro-ministro ou do homem “irrevogável” esta tão simples coisa: “O senhor está a mentir”, e aguentar-se à bronca, a oposição não vai a lado nenhum. Por uma razão muito simples: é que ele está mesmo a mentir e quem não se sente não é filho de boa gente. Mas para isso é preciso mandar pela borda fora os consultores de imagem e de marketing, os assessores, os conselheiros, a corte pomposa dos fiéis e deixar entrar uma lufada de ar fresco de indignação.

Então como é? O país está mal ou não está? Está. Então deixem-se de rituais estandardizados da política de salão e conferência de imprensa, deixem-se de salamaleques politicamente correctos, mostrem que não querem pactuar com o mal que dizem existir e experimentem esse franc parler que tanta falta faz à política portuguesa.

Mas, para isso, é preciso aquilo que falta no PS (e não só), que é uma genuína indignação com o que se está a passar. Falta a zanga, a fúria de ver Portugal como está e como pode continuar a estar. Falta a indignação que não é de falsete, nem de circunstância, mas que vem do fundo e que, essa sim, arrasta multidões e dá representação aos milhões de portugueses que não se sentem representados no sistema político. Eles são apáticos ou estão apáticos? Não é bem verdade, mas, se o fosse, como poderia ser de outra maneira, se eles olham para os salões onde se move a política da oposição e vêem gente acomodada com o que se passa, com medo de parecer “radical”, a debitar frases de circunstância, e que não aprenderam nada e não mudaram nada, nem estão incomodados por dentro? Como é que se espera que alguém se mobilize com as sombras das sombras das sombras?
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Pacheco Pereira, Público
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(...) depois de uma queda de 61% da pensão média e com 45% dos pensionistas abaixo da linha de pobreza, mais 50% de jovens desempregados, há um limite humano para esta austeridade e um acordo deve ter efeitos expansivos de curtíssimo prazo. Se amanhã é outro dia, para a Grécia será preferível sair do euro a aceitar mais austeridade e uma dívida em cavalgada.

Tsipras sabe que a Grécia depende do mercado interno, é uma economia menos aberta do que a portuguesa e a desvalorização não teria tanto impacto sobre as exportações, mas o turismo seria beneficiado e, sobretudo, a Grécia abateria 300 mil milhões das suas contas no momento em que declare o incumprimento. Abre uma batalha e pode preferir evitá-la, mas o maior custo financeiro é dos credores. A escolha é portanto unicamente política.

O que se decide na Grécia, por isso, é o fim de uma tragédia, se não for o princípio de outra. Hoje, só Atenas pode salvar a Europa.
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Francisco Louçã, Público