quis fazer da vida uma viagem a todos os lugares - levando ouvidos e trazendo voz
Os gregos, hoje - os portugueses... hoje também
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Passaram quatro meses de negociações exaustivas, em que os credores insistem sistematicamente em impor ao governo liderado pelo Syriza o mesmo programa de austeridade que foi rejeitado pelo povo grego nas eleições de 25 de janeiro. A asfixia de liquidez orquestrada pelas instituições levou a uma situação crítica para as finanças do nosso país, tornando insuportável o cumprimento das próximas obrigações com a dívida.
O governo grego fez o seu melhor para chegar a um acordo, mas as linhas vermelhas – que incluem metas sustentáveis e não irrealistas para os saldos primários, a restauração dos contratos coletivos e do salário mínimo, a proteção dos trabalhadores em relação aos despedimentos em massa, a proteção dos salários, pensões e segurança social em relação a novos cortes, o travão às privatizações em saldos, etc – têm de ser respeitadas. A soberania popular e o mandato democrático têm de ser respeitados. A paciência e boa vontade do povo grego não podem ser vistas como uma vontade de ceder a uma chantagem sem precedentes. A democracia europeia não pode ser asfixiada.
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Temos o dever para com as gerações futuras de dizer a estes tubarões que nos surgem como credores que não temos mais sangue para lhes dar. Vamos para as ruas dizer ao nosso governo que estamos do lado deles, mas só se não recuarem um passo.
Em meados do século I da nossa era, um daqueles cujo nome não ficou gravado na história disse assim: “enquanto a memória da liberdade viver na mente das populações escravizadas, elas procurá-la-ão e resistirão. Mas quando o mal vence, as pessoas deixam de acreditar que o possam afastar, e resignam-se a acomodá-lo nas suas vidas. Nesse momento, a destruição é completa.
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Caros amigos,
Após quatro meses de intensas negociações, chegámos ao momento da verdade para o nosso projeto europeu comum. O governo liderado pelo Syriza faz o seu melhor para chegar a um acordo honrado com os seus parceiros europeus e internacionais, que repeite tanto as obrigações da Grécia enquanto Estado-membro da UE como o mandato eleitoral do povo grego.
O governo liderado pelo Syriza já deu início a uma série de reformas para combater a corrupção e a evasão fiscal generalizada. A despesa foi controlada e as receitas fiscais superaram as expetativas, atingindo um saldo orçamental primário positivo de 2160 milhões de euros (de janeiro a abril de 2015), muito acima da previsão inicial que apontava para um défice de 287 milhões de euros. Enquanto isso, a Grécia honrou todas as suas obrigações com dívidas recorrendo a meios próprios – um caso único entre as nações europeias –, uma vez que os pagamentos dos fundos do empréstimo estão cortados desde agosto de 2014.
Passaram quatro meses de negociações exaustivas, em que os credores insistem sistematicamente em impor ao governo liderado pelo Syriza o mesmo programa de austeridade que foi rejeitado pelo povo grego nas eleições de 25 de janeiro. A asfixia de liquidez orquestrada pelas instituições levou a uma situação crítica para as finanças do nosso país, tornando insuportável o cumprimento das próximas obrigações com a dívida.
O governo grego fez o seu melhor para chegar a um acordo, mas as linhas vermelhas – que incluem metas sustentáveis e não irrealistas para os saldos primários, a restauração dos contratos coletivos e do salário mínimo, a proteção dos trabalhadores em relação aos despedimentos em massa, a proteção dos salários, pensões e segurança social em relação a novos cortes, o travão às privatizações em saldos, etc – têm de ser respeitadas. A soberania popular e o mandato democrático têm de ser respeitados. A paciência e boa vontade do povo grego não podem ser vistas como uma vontade de ceder a uma chantagem sem precedentes. A democracia europeia não pode ser asfixiada.
Estamos num momento decisivo e é necessária vontade política dos nossos parceiros europeus para ultrapassar este impasse. Este apelo não é só um apelo à solidariedade, é um apelo para o respeito que é devido aos principais valores europeus.
Neste quadro, o Syriza apela a todas as forças sociais e políticas progressistas e democráticas que têm consciência de que a luta da Grécia não se limita às suas fronteiras, mas constitui uma luta pela democracia e justiça social na Europa.
Neste momento crítico, apelamos a ações de solidariedade política e social, desde a organização de sessões públicas e campanhas de sensibilização por toda a Europa, às iniciativas institucionais nos parlamentos locais, regionais e nacionais, pasando por declarações individuais ou coletivas de apoio aos esforços da Grécia para mudar o paradigma europeu da desastrosa austeridade para um novo modelo de crescimento sustentável.
O vosso apoio é da maior importância, não apenas para o povo da Grécia, mas para o destino da ideia de Europa.
Os nossos melhores cumprimentos,

Tasos Koronakis, Secretário do Comité Central do Syriza.
Sufoco!
Só esta palavra pode descrever o que os chamados “Parceiros” Europeus têm andado a fazer nos últimos quatro meses à custa do nosso povo e do nosso governo, com o aplauso constante dos seus aliados nacionais. É como se tivessem enfiado um saco de plástico na cabeça de cada cidadão deste país, desde que o povo grego ousou levantar-se e dizer: Basta!
Todos os dias ouvimos a troça vinda de cima. Todos os dias nos chegam afirmações pérfidas, com a certeza de que apenas uma voz merece ser ouvida, uma voz que tem a sorte de pertencer a alguém Muito Poderoso (ainda que corrupto) da Alemanha, a alguém mui venerável (mas capaz de viver feliz num paraíso fiscal) do Luxemburgo, a um respeitável francês (ainda que desprovido de espinha e com tendência para se esquecer das coisas), ou a um vigarista dos Países Baixos, especialista em ajoelhar-se diante do Muito Poderoso.
Olhem para esta Europa e para estas “instituições”!
Mas então e nós? Que faremos nós? Que fará o povo grego? Ficaremos em casa, passivamente, a ver televisão, na esperança de que a calamidade que afecta todo o nosso país não nos bata à porta?
Lamento estar longe da Grécia, desta vez. Mas lamentarei ainda mais se, amanhã, não vir o povo tomar as ruas com toda a sua dignidade cheia de raiva transformada em acção política dirigida contra aqueles que planeiam a sua destruição.
Temos o dever para com as gerações futuras de dizer a estes tubarões que nos surgem como credores que não temos mais sangue para lhes dar. Vamos para as ruas dizer ao nosso governo que estamos do lado deles, mas só se não recuarem um passo.
Em meados do século I da nossa era, um daqueles cujo nome não ficou gravado na história disse assim: “enquanto a memória da liberdade viver na mente das populações escravizadas, elas procurá-la-ão e resistirão. Mas quando o mal vence, as pessoas deixam de acreditar que o possam afastar, e resignam-se a acomodá-lo nas suas vidas. Nesse momento, a destruição é completa”.
Companheiros gregos, agora é o momento de mostrar a toda a gente que guardámos a memória da liberdade, a ideologia da resistência.
Bruxelas, 22 de Maio de 2015

Manolis Glezos, eurodeputado do Syriza e histórico resistente ao nazismo