AS PESSOAS ESTÃO NA MISÉRIA, MAS A ECONOMIA ESTÁ MUITO OPTIMISTA
O problema - a tragédia - maior nem é, já, o patético nível de fasquia que a actual classe política coloca na auto-avaliação de desempenho, que ficciona para efeitos de propaganda e de eternização no poder. Maior que esse problema é o da desfaçatez com que a 'escola' global do austeritarismo afirma a substituição da Política pela Economia, da governação de um Povo pela estatística do orçamento, das pessoas pelos números, do Estado-Nação pelo Estado-indústria, do progresso social pelo expansionismo plutocrata, dos direitos humanos pela produtividade, do Homem integral pelo bicho competitivo, da libertação em dignidade pela subjugação em caridade, da comunidade com o primado da justiça pela selva com o império da força.
E o que faz do problema tragédia cada vez mais próxima da irreparabiidade é a sonolenta complacência que os autores deste crime contra a Humanidade têm conseguido das próprias vítimas.
DEPOIS DA NOTÍCIA
de ter sido cometida ao CDS a presidência da comissão de inquérito aos submarinos, podemos estar certos de que Aguiar Branco fará o cálculo do valor do roubo dos Estaleiros de Viana, Miguel Relvas arbitrará com Passos Coelho o escândalo da Tecnoforma e Cavaco Silva será nomeado juiz para os crimes do BPN.
