Diz que "há bons indicadores"
E por quantos anos vamos ter de viver com "indicadores"?
E por quantos neurónios vamos ter de adormecer para chamar "recuperação económica" ('notável'...!) à realidade que vemos e sabemos - porque é desta que eu falo.
Falo de empresas (boas e outrora exportadoras) que me passam pelas mãos às centenas - não é exagero - para fecharem por falta de clientes... que vinham do consumo que Deus haja.
Falo de milhares de pessoas que vejo reduzidas à pobreza - a pedirem, muitas, muitíssimas - enquanto as acusam de viverem "acima das possibilidades" dos... coreanos, a par de umas dúzias de traficantes e especuladores da economia paralela que tenho caçado como tordos a gozarem milhões provindos das trafulhices financistas e dos arranjinhos com autarquias, GPS's, espíritos santos da doença, BPN's, cavacadas, relvadas, coelhadas e outras porcarias que todos tão bem conhecemos.
Mas falo, também - embora isso seja o menos significativo - de uma economia que em 2010 exportava e crescia 2%, com a dívida nos 90% (ao nível das da Alemanha ou da França) e com esta ridículamente chamada "recuperação" já vai nos 140%.
Já sei que lhes não interessam os 2 milhões de pobres, nem o milhão e meio de desempregados, nem a mais vergonhosa taxa de emigração de que há memória. São apenas números, afinal.
Mas, afinal, que números é que interessam - a vós, que não conheceis rostos nem sentimentos nem beleza do bem-estar da Nação, só vedes números?