Cavaco ‘anunciou’ que agora a dívida portuguesa é sustentável.
Quando era de 94% era insustentável – era preciso derrubar o Governo – mas
agora, que é de 130%, já é sustentável. E, claro está, é preciso manter o Governo.
Ressuscitá-lo. Mais uma vez. Tal como com o golpe de estado
do passado dia 5 de Julho, quando o governo morreu, ou melhor, quando se suicidou.
A dívida - aquilo que ela é, para que ela foi inventada, para que ela serve - começa a ser sustentável, sim.
A dívida, aquilo que ela é, é uma ficção criada do nada, graças a uma invenção monstruosa: as reservas fraccionárias. Com esta diabólica invenção, os banqueiros emitem a moeda, são donos dela, investindo zero - ou, melhor, investindo dígitos escritos em papel virtual como... dinheiro que os Estados lhe devem.
Como invenção da mais tenebrosa máfia que a História conhece, a dívida cresce sempre e sempre, cresce até ao infinito, por obra "mágica" de uns pactos celebrados entre os banqueiros (que criam a moeda fictícia e a emprestam ao Estado) e os 'governantes' que assinam a confissão de uma dívida que são apenas dígitos e depois a pagam aos bancos com dinheiro vivo.
A dívida, esse mafioso monstro, tornava-se insustentável quando o Governo da República subsidiava famílias, apoiava empresas, fazia investimento público - porque, afinal, os banqueiros criaram esse monstro para disseminar a pobreza, fechar as empresas e parar com o investimento público.
A dívida começa agora a ser sustentável, porque cumpre a função de quem a inventou: exterminar o sector público e secar a sustentabilidade das famílias e das empresas. Com esse extermínio, os banqueiros podem, finalmente, ser os donos da Saúde (privada), do Ensino (privado) e do fornecimento das famílias com as suas mega-empresas oligopolistas e sem a concorrência das empresas agora encerradas.
A dívida começa agora a ser sustentável, porque cumpre a função de quem a inventou: exterminar o sector público e secar a sustentabilidade das famílias e das empresas. Com esse extermínio, os banqueiros podem, finalmente, ser os donos da Saúde (privada), do Ensino (privado) e do fornecimento das famílias com as suas mega-empresas oligopolistas e sem a concorrência das empresas agora encerradas.
Era isto que estava planeado desde 2001/2002, foi isso que em Portugal foi posto em execução em 2005/2006 - e é isso que está agora a consumar-se.
Agora, sim, a dívida é sustentável. Tornou-se de duração eterna e de dimensão absolutamente impagável. Sustenta-se a si mesma.