A culpa será do meu conservadorismo. Ainda não perdi o hábito
de, uma vez por semana (quase religiosamente) ler o jornal
que herdou o nome dado por António Paulouro.
Esta semana o anúncio mor da 1ª página estremeceu-me o alerta: "Começou a corrida aos pastéis de cereja nas pastelarias"! soou-me o alarme para a entrada na corrida - pois não é de corridas que a vida é feita, nestes dias que teimamos viver? Pulei, voei, esfalfei-me para não chegar atrasado, avisado de como a meta havia de estar a ser perseguida por multidões.
Fui demasiado lento - ou lerdo. Ao desjejeum, ao almoço, à merenda (por aqui chamam-lhe 'lunch') acudi veloz ao chamamento - e foram 14 pastelarias que massacrei com a minha busca pelos fantásticos pastéis. Culpa minha: a corrida noticiada na parangona já certamente tinha "varrido" tudo o que se assemelhasse ao genuíno pastel de cereja. Nem um para amostra!
"Atrasei-me e é-me bem feita", já a minha voraz gulodice se queixava. Mas não há mal que sempre dure - e a fortuna deu-me a descobrir, bem no centro da cidade, 2 balcões em que ainda, heroicamente, resistiam pasteis de cereja. Sorte maior, aí estavam as vitrinas ainda repletas deles! Há dias em que vale a pena sair de casa!
O pior foi que, de tanto correr e pesquisar, ficaram-me desertas as pastelarias e as ruas... Os meus concidadãos devem ter recolhido a penates para saborearem o divinal manjar que ganharam na corrida. Nem um turista me sobrou para dois dedos de conversa com a gulosa degustação pelo meio. Autopuni-me pelo meu imperdoável atraso: não comi o ambicionado e almejado pastel de cereja. Merecido castigo!
Paciência... No fim-de-semana terei oportunidade de encontrar o pastelinho de cereja - e há-de caber-me algum dos da marca registada, patenteada e protegida. Ao menos, na recepção ao embaixador do Japão, que vem trazer os vouchers para a expedição a Tóquio dos nossos contra-embaixadores.
O que uma pessoa ganha por ler um jornal!