Chegaram-me hoje queixas de comerciantes de pastelaria do Fundão
- porque foram avisados (e admoestados, comme il faut) de que para fabricarem e venderem
os já célebres pasteis de cereja têm que obter licença
- e pagar os royalties - ao Município, que registou a marca (e a receita...!).
No ano passado, manifestei-me na Câmara contra esta imaginativa ideia. Mas admito agora que o burro sou eu. Afinal, os pasteleiros não podem fabricar e vender croissants, éclairs, argentinos, moscovitas e toda essa deliciosa bolaria que a nossa perigosa cereja podia fazer esquecer? E, além disso, faz algum sentido estarem a promover a cereja, que tanta falta faz para exportar para o Japão, o Brasil, as Maldivas, o Hawai e todos esses importantes lugares onde os enviados do Município podem fazer o sacrifício de irem lançar campanhas de promoção?
Isto sim, é economia integrada. As sopas de calda de cereja, os arozes doces de cereja, os filets mignons com fantasias de cereja e todas essas magníficas peças de arte que colocam o Fundão no topo do mundo (tipo Everest da gastronomia) estavam a precisar de ajuda para aumentar as nossas saudades de umas dentadinhas no carnudo fruto que os nossos antepassados comiam.