quis fazer da vida uma viagem a todos os lugares - levando ouvidos e trazendo voz
Mais crise, mais milionários

Uma consciência atenta
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Estamos em crise mas o número de milionários aumentou. Muitos dos novos milionários terão enriquecido pela arrecadação lícita dos despojos de muitos dos novos miseráveis. Nos seus saldos, as crises só são crises porque se tornam num jogo de soma negativa: há muitos que perdem, há poucos que ganham…
Mas porque há poucos que ganham, também se compreende quando se atribui à crise o papel de oportunidade. A pobreza, o desemprego, a precariedade, a fome - todas as formas de crise - são susceptíveis de se transformar nas oportunidades de alguém.
Na selva, o animal ferido é uma oportunidade para o predador. Na selva, a predação é legítima, necessária e útil. Na selva, a crise é uma oportunidade…
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(P Albuquerque Dias,
Facebook, hoje)
Pois claro, P Albuquerque Dias, não é isso a crise? crise não é essa 'coisa' que nasce de haver muitos milionários - essa 'coisa' que criaram os milionários, com o excelso esforço de "inovação" conceptual criaram os mercados, e a produtividade e a competitividade, e os ajustamentos e as convergências, e os viveres acima das possibilidades e os riscos dos investidores, e os cavacos e os palhaços, e os coelhos e os farsolas, e os gaspares e os esbirros, e os laranjotas e os fedelhos?
Não foi para isso que a crise foi inventada, ora?! Não foi para isso que os investidores que com árduo trabalho de apostas nos casinos aforraram milhares de milhões descobriram o direito a legar aos filhos os milhões de milhões que garantam aos netos um digno futuro de biliões de milhões?
Não foi para isso que "o país" investiu milhões nas lusófonas e nos colégios e nos bpn's que financiaram as lusófonas e os colégios? E não foi para isso que um grupo de filantropos faz o favor de receber as ruinosas criações do Estado como as edp's e as galp's e os ctt's e as rtp's e as ana's e as tap's?
Bolas, P Albuquerque Dias - então para que serviria o raio da crise? Para continuarmos como estávamos (vivos, além do mais) os nossos benfeitores não precisavam da crise para nada.
A crise foi inventada para isso. Para os milionários serem mais milionários e, se possível, serem mais - porque eles procriam, ora!
Por isso temos a crise. Por isso temos esse luxo. Por isso o pagamos com o insignificante sacrifício (diria melhor: pequeno incómodo) do nosso futuro, do pão dos nossos filhos, das nossas vidas.
Demos graças à crise e aos milionários que a inventaram e a alimentam. Libertaram-nos da Política - essa demoníaca arte de tratar do bem-estar dos Povos (deus me perdoe!) - e nos proporcionaram a admirável ciência dos mercados e dos ajustamentos e das convergências. E dos consensos.