As medidas de arrasamento económico e escravidão social impostas pela troika nunca na História solucionaram crises. Mas isso não bastaria para arruinar Portugal se o Governo tivesse estratégia ou pelo menos preocupação com a economia do país e a dignidade da nação.
O Governo não tem a menor ideia de que a obsessiva tara de arruinar o Estado para safar os luxos e os privilégios do capitalismo selvagem assenta na religião de uma corrente neo-liberal caduca e desmentida pela Ciência e pela História. Mas isso não seria suficiente para assassinar o País e a Nação se em Portugal não estivesse instalada uma classe de predadores do bem comum à custa do oportunismo, do compadrio e da submissão ao tráfico da desvergonha.
Os autarcas, políticos profissionais e demais parasitas reunidos na gigantesca associação criminosa que domina Portugal sublimam a incompetência (de nada terem feito na vida senão a graxa e o compadrio) com a acumulação de mordomias, privilégios e arranjinhos em que se ajeitam entre si – e o consequente locupletamento ladroeiro à custa do erário público. Mas isso não acordaria o Povo se não sofresse a ladroagem mais que na pele e já no osso.
O Povo português é ordeiro, pacífico e resignado. Mas isso já não basta para suster a indignação, desde que todos os pressupostos mínimos da decência estão já a ser grosseiramente violados pela corja no poder.
E é por isso que aqueles que toda a vida lutaram pela cidadania, pelo debate de ideias, pela vitória do pensamento e da palavra justos, já sentem a força libertadora da ética cada vez mais evidente e iminente:
a população começa a esperar na rua os políticos da trafulhice profissional – e um dia destes vai-lhes às ventas!