Schuman e Monet (e Churchil ou Adenauer, e Kohl ou Miterrand, Mário Soares ou Lucas Pires) quiseram a Europa - sonhando-a todos e projetando-a, construindo-a, viabilizando-a ou promovendo-a. E era uma ideia racional e bela, forte e clara: um território uno de nações diversas, uma sociedade coesa de potencialidades complementares, uma economia solidária de ordens financeiras desiguais mas convergentes.
Primeiro e antes de tudo, uma comunidade económica. Objetivo maior e último, uma união política. Pressupostos de princípio, nas riquezas de níveis muito diversas à partida, a democracia de um só nível - o pleno.
Quiseram todos e todos estimularam os seus Povos e Nações a admirar e escolher, um grande todo, que como todo era possível e valioso por força das especificidades de cada parte, que ao afirmar-se pelo todo valorizava as partes específicas e pela especificidade de cada uma delas. A indústria de Alemanha e Reino Unido, a agricultura de França e Espanha, o turismo de Portugal e Grécia, o mar de Holanda e Portugal - tudo se conjugaria (o verbo era mesmo este...!) numa União (e o substantivo era mesmo este!). Um território uno, em que falar de periferias seria uma contradição nos próprios termos, um absurdo por traição à própria ideia base.
Comparar os portentados económicos e financeiros do Norte com as maravilhas naturais e humanas do Sul seria ardilosa e capciosa falácia, não só por se tratar de equiparar o incomparável, mas principalmente por traduzir o capcioso embuste da garantia de procura dos originariamente fracos para a oferta dos originariamente poderosos - afinal, a artimanha de anexação dos países consumidores pela voragem dos países super-desenvolvidos.