quis fazer da vida uma viagem a todos os lugares - levando ouvidos e trazendo voz

Adeus, Europa (cont.)

Sob essa ideia de Europa Comum, Portugal deu o que tinha - e o que lhe competia: mercados de consumo às indústrias e aos capitais do Norte, com portas escancaradas na fronteira; valorização das pessoas, tecnologias e serviços que à Europa Comum interessavam; contenção dos cidadãos a níveis de bem-estar e rendimentos muito abaixo dos almejados para o futuro da tal Europa Comum.
Mas a "1ª fase" decorreu e passou. Quando já demos tudo, acabou-se - por isso mesmo - a nossa capacidade para recebermos o que as super-potências do Norte nos oferecem e ao preço que no-lo oferecem. A crise chegou lá e a ganância do lucro e da expansão ilimitados também. Por cá, não conseguimos ir mais longe no apertar do cinto para sermos pagadores por igual de uma crise que não cavámos e até foi cavada para benefício deles e contra nós.

Deixámos de interessar. A menos que, pela força, subjuguem a nossa já exangue pobreza até ao extremo. Pela força das puras armas ou pela do dinheiro sujo. Sabem os construtores do novo império germânico, como Merkel, e sabem os que a eles se venderam atraiçoando as suas pátrias, como o alambasado Sarkozy ou o poucochinho Passos Coelho, que deixamos de interessar.
Porque a comunhão de interesses com os países 'periféricos' (agora já são) era da Europa Comum. E a Europa Comum já não existe.