A selecção portuguesa de futebol terminou hoje a sua participação no Campeonato do Mundo da África do Sul. Perdeu nos oitavos-de-final com a Espanha, uma equipa mais forte que a dos “Navegadores” e mais forte que todas ou quase todas as selecções nacionais do actual mundo do futebol. Perdeu por 1-0, por força de um golo contraditório, porque ilegal mas justo. Perdeu quando até podia ter ganho, mas quando era justo – se não fatal – que perdesse.
No final houve a – fatal – polémica. Os chamados “treinadores de bancada”, que são aqueles 5 milhões de portugueses que decidem o destino da humanidade à mesa do café em que descarregam sobre todo e qualquer notável a porrada que não são capazes de em casa dar às mulheres, esses pediram a cabeça do treinador Carlos Queirós (que “não percebe nada de futebol”) a imolação daquele Cristiano Ronaldo que ainda ontem diziam ser o melhor do mundo, a vergonha dos luso-brasileiros para quem ainda ontem pediam a nacionalidade portuguesa.
À partida para o Mundial, a nossa selecção não tinha hipótese nenhuma. Depois de ganhar 7-0 à Coreia do Norte era uma “séria candidata ao título”. No intervalo do jogo com a Espanha estava a mostrar isso mesmo e “tacticamente perfeita”. Depois de eliminada, passou a um “bando de incompetentes” comandado por um treinador “incapaz”.
Por mim, agradeço a Carlos Queirós e aos 23 profissionais que lutaram na África do Sul a alegria que deram aos portugueses que ali estiveram e o esforço com que no exercício da sua profissão deram à auto-estima portuguesa mais do que eu consigo dar no exercício da minha. Por questão de respeito – e de bom senso.
Quanto ao futebol, interessa-me tanto hoje como há um mês atrás. A bem dizer, o que eu aprecio é a arte de jogar a bola de desportistas como aqueles que, em 1982, encantaram o mundo com o espectáculo de se divertirem desportivamente, mesmo sem sequer chegarem ao pódio.
