Robert Enke, futebolista alemão (ex-RDA) que jogou no Benfica e agora representava a selecção do seu país, suicidou-se no passado dia 10. O carácter que lhe definem os que viveram com ele fez com que as manifestações de pesar dos colegas e adeptos sublinhassem mais do que as qualidades de atleta.
Por ocasião do jogo que tinham num dos dias seguintes, os jogadores da selecção alemã dirigiram-lhe uma carta de homenagem, que vejo transcrita num jornal on line.
Outra dimensão da competição desportiva e das solidariedades que desperta?
«Sentámo-nos juntos muitas vezes e pensámos em ti. Em conjunto, ficámos em silêncio, juntos chorámos e juntos procurámos respostas, mas apenas nos surgiram mais interrogações, perguntas agonizantes».
«Por que não te conseguimos ajudar? Por que é que tu não conseguiste, não quiseste falar-nos dos teus problemas? Por que é que não é possível neste nosso desporto competitivo, na nossa sociedade competitiva falar abertamente de medos e doenças?»
«É um pensamento penoso para todos nós, que tivesses estado em solidão, mesmo quando estavas rodeado por nós; que tantas vezes pensaste que estavas a perder muito mais do que uma mera partida de futebol; que para ti havia muito mais em jogo que para nós».
«Vamos sentir a tua falta. No caminho para o estádio, nos balneários, na grande área. Vamos sentir a tua falta porque eras um guarda-redes extraordinário. Mas, muito mais, porque eras uma pessoa excepcional. Hoje jogamos pela Alemanha, jogamos pelos adeptos. Mas a maioria de nós vai jogar por ti. Por um bom amigo cuja morte nos uniu ainda mais. Somos uma equipa e tu farás sempre parte dela.»
