quis fazer da vida uma viagem a todos os lugares - levando ouvidos e trazendo voz

A barraca do campismo - Parte II

No Jornal do Fundão de 22.Nov. fiz o meu comentário à operação que a Câmara Municipal do Fundão lançou sobre a sociedade anónima FUNDATUR [abaixo, post de 28.Nov.].
A crónica foi publicada na mesma edição do JF que deu notícia de uma nota de imprensa do Partido Socialista sobre o mesmo acontecimento [abaixo, post de 27.Nov.].
O PSD fundanense respondeu à nota de imprensa do PS referindo-se (num português um tanto fora da lei - se calhar a propósito...) à minha crónica como que "subtilmente". Dizia que o PS se apoiava numa "muleta" de "articulista de ocasião" - e claro que era para mim.
Percebo a linguagem taurina utilizada com o primeiro vocábulo: sentiram a minha crítica como uma farpa ou estocada, quiçá feridos pela minha lide do boi da ilegalidade, quando o vi tresmalhado por fora dos curros da democracia. Fui, em todo o caso, mais liso eu a ferrar a estocada do que o boi a investir. Talvez tenham razão: a luta é desigual, na tourada, porque a racionalidade do homem que ferra a farpa ridiculariza a simples força bruta dos cornos que marram. Mas se fui à arena foi porque a tourada estava na praça. Pegar o boi pelos chifres é uma tarefa a que a minha vida e o meu carácter me habituaram no tratamento da lei. E sinto-me bem no lado oposto ao dos que rastejam presos pelo rabo do animal - por quem nutro tão pouca simpatia como pelos que se ajeitam num camarote de sombra, livres da lide mas atentos à faena.
Mas a nota de imprensa do PSD não é o que vem a propósito - aliás não teve propósito de coisa alguma. Fazia arremedos de metáfora com a lua cheia, utilizava os chavões do costume, quanto à falta de autorização da Assembleia Municipal engendrava uma mentira ininteligível, misturava autorização prévia com ratificação póstuma, e o blá blá blá q.b. para falar mas não dizer. Quanto à ilegalidade da participação adquirida sem autorização, népia!
No mesmo número do JF que deu notícia da engraçada nota de imprensa dos "laranjas" foi, por coincidência, publicado um panfleto do leader social-democrata local, atacando José Sócrates, surf na onda do descontentamento popular pela situação geral da Nação. Nada a notar - e só o refiro aqui por causa do que vem a seguir: uma carta que recebi hoje, remetida por um cidadão a quem parece ter saltado a tampa da indignação com o que vê por aí.
A acompanhar a carta vinha fotocópia de recibo de um servidor da câmara, este menos descontente, seguramente. O recibo é de salário, despesas de representação e outros benefícios - e o valor pago são uns milhares de euros. Conferi e constatei que a fotocópia é fidedigna.
Já agora, o fac simile da dita carta:

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