quis fazer da vida uma viagem a todos os lugares - levando ouvidos e trazendo voz

Rainha de todas as noites

Morreu faz hoje 30 anos.
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A ópera Tosca, de Puccini, foi a última interpretação de uma mulher não era uma pessoa comum, de uma filha de imigrantes gregos que nasceu em Nova Iorque mas viria a renunciar à cidadania americana, de uma americana “de 2ª” que deixou a América com fome e regressou dominando os públicos por quem foi detestada e idolatrada.

Ánna María Cecilía Sofía Kalogerópoulus nasceu a 2.Dez.1923. Passou a ser Maria Callas em 1929, quando o pai abriu uma farmácia em Manhattan e mudou o apelido da família por motivos comerciais.
Em 1937 os pais separam-se e Maria viaja para a terra dos avós, a Grécia, à procura da subsistência. E é em Atenas que faz o Conservatório e virá a debutar como profissional, em Janeiro de 1941.
A ópera tinha acolhido uma voz que viria a revolucionar as regras de interpretar o canto e deslumbrar o público.

Dona de uma voz com uma extensão incomparável, Maria Callas mostrou, em praticamente uma década apenas, que podia interpretar todos os papeis e em todos os estilos do canto. Levou ao nível da perfeição a arte de alterar a “cor” da voz para exprimir as emoções dos personagens e transformou a arte de cantar na magia de pôr em cena a personalidade e a psicologia dos personagens… tudo com a modulação da voz.

Os anos 60 foram épicos e trágicos. A personalidade bipolar fê-la variar entre o conflito aberto e a adoração dos maestros, entre as paixões tórridas de milionários e divórcios litigiosos, entre a apoteose e o colapso nos palcos, entre a paz com a sua rival Renata Tebaldi e o conflito físico entre os fãs de ambas.
No dia 5.Jul.1965, o requintado e exigente palco de Covent Garden, em Londres, assistiu à última actuação da diva das divas: Maria Callas.
Em 1965 decidiu parar de cantar. Uma década mais tarde, em 1974, havia de voltar a fazer uma digressão com o tenor Giuseppe Di Stefano. Mas a voz era uma sombra do que tinha sido. O mito tinha-se desfeito naquela noite de Puccini em Covent Garden, a 5.Jul.1965…
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O melhor de Callas? Não é possível distinguir. Para esta homenagem, Puccini (claro) e Mozart (A Flauta Mágica, de Papageno e Papagena... da Rainha da Noite.
PARA OUVIR:
O Mio Bambino Caro.............................Rainha da Noite