quis fazer da vida uma viagem a todos os lugares - levando ouvidos e trazendo voz

optimista deprimido

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"Recuso este contentamento infeliz, este fraco consolo do nada. (...) O nada anda a invadir a cabeça sem brilho"

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Entrando nas Casas do Outro
Num mundo em que parece só haver surdos-mudos berrando "yes of course" até o estrondo dar vómitos, surge por vezes uma brisa de melodiosa desafinação revelando almas em gritos de profundezas.
São as pérolas que os porcos nunca conseguirão digerir - e que os pescadores de sonhos não podem cansar-se de saudar.
Saúde, Pedro!

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"Fomos entrando nas casas do outro. Quebrando as paredes que os problemas da memória tecem quando atacam o pensamento. Fomos entrando. Assim a construir um presente real sem a pequenez das coisas. Talvez lutando contra os sentidos alheios, os mártires da vontade gritada, do grito surdo, mudo, seco. Entrar nas casas é acreditar na visita, é prometer o regresso. O medo é sempre o de caminhar. Ou o medo é sempre um caminho. Caminhar é responder. Fomos andando em espirais. Fomos andando para a frente enquanto voávamos no mundo, secretamente, a saltar. Não tenho vergonha de dizer que nos admiro. Não me custa dizer que nos amo."

(Pedro Fiuza, in Epiderme. Lançamento no Fundão, 16.Jun.2007)


"Pedro Fiuza nasceu em mil novecentos e oitenta. Ainda é cedo para qualquer nota biográfica"