O Buzinão
.
No Fundão, 25 de Abril à séria, com o Povo a sair à rua, num monumental buzinão contra o negócio dos parquímetros, que entregou o espaço público, beneficiado com o dinheiro público, à exploração privada de um consórcio privado constituído à pressa para cobrar dos munícipes vinte vezes mais do que dá de renda ao Município.
.
Marcado para a hora da reunião da Assembleia Municipal, o buzinão fez a população esquecer os discursos dos assembléus e concentrar-se na livre fruição do que é seu pelo Direito Natural: as ruas da cidade. Importante teste à liberdade de indignação de uma população que a maioria camarária pensava ter "na mão" - e simbólico prenúncio de que o "estado de graça" de Manuel Frexes y sus muchachos já era...
.
A reacção da maioria laranja ao sucesso da iniciativa do Movimento Não aos Parquímetros no Fundão foi curiosa: deixou-se cair na derrota política imediata, apressando-se a alterar as tarifas da misteriosa concessão da exploração ao consórcio da "Consequi", sem reparar que o faz ilegalmente e (lapidar) deixando a nu o "rigor" de um contrato de concessão que uma das partes altera a seu bel-prazer...
(Concessionário amigo, que ganha um concurso público e depois se submete a condições menos rigorosas do que as que fez vingar no concurso!)
.
Para maior evidência da "defesa" do interesse público, no dia a seguir ao buzinão a câmara municipal lançou-se a vedar os espaços livres em que os fundanenses ainda podiam estacionar sem pagar à "Consequi"...
.
O Movimento Não aos Parquímetros anuncia que está a preparar um dossier para apresentar ao Ministério Público, ao Provedor de Justiça e à Inspecção Autárquica, para apreciação dos termos em que foi concedida e está a ser protegida a exploração privada do espaço público dos fundanenses.