Tiago Mileu deu hoje um concerto na Casa da Música. Qualquer que tenha sido o nível de qualidade da sua performance (não consegui ainda ouvir a gravação nem saber comentários) e mesmo sem contar que o Tiago toca sempre próximo da perfeição, o facto de ter subido àquele palco é de per si notável. Mas, como se ele não bastasse, acrescenta-se-lhe a circunstância de o jovem aluno da Academia de Música do Fundão ter conseguido, com este concerto, completar um feito dificilmente imaginável para um pianista da sua idade: actuou já em todos os grandes palcos portugueses - Teatro Nacional de São Carlos, Centro Cultural de Belém, Teatro Nacional D. Maria II (todos com honras de gravação e transmissão pela Antena 2) e agora o palácio cultural do norte. A somar a tudo isto, só os melómanos sabem quão difícil foi o repertório que o prodígio encubado na Academia fundanense exibiu em qualquer das salas - desde a Partita nº IV de Bach à Sonata em Lá menor K375 de Mozart, desde Debussy a Prokofiev, desde Chopin a Chopin (estudos nºs 1 e 12 opus 10 e nº 1 opus 25...) para justamente se destacar o maior ícone do história do piano, que Tiago interpreta tão bem como qualquer grande pianista.
Para já, factos a registar: a sala teve lotação esgotada e o próprio Pedro Burmester convidou Tiago a ser solista da Orquestra Sinfónica do Porto já em 2008 - e falou logo com a Profª Tamara Antontseva, a magistral professora e produtora do jovem prodígio.
As televisões nacionais cobriram e deram destaque ao evento. Em entrevista à SIC, Burmester sublinhou a invulgar seriedade do trabalho de Tiago e disse que, se continuar assim, o miúdo chegará onde quiser...
Bravissimo para o primeiro pianista português, que eu saiba, a ter-se exibido em alto nível nos quatro maiores palcos nacionais com apenas 14 anos de idade, para além dos sucessivos êxitos que já conseguiu no estrangeiro. E parabéns à Academia de Música do Fundão e muito especialmente à Profª Tamara Antontseva, que abriram a Tiago portas que ele jamais tinha cruzado. A emérita mestra russa, que faz com Tiago um trabalho que só quem conhece de perto pode avaliar (e quantas vezes ele tem passado indiferente ante a ignorância de quem mais o devia saudar e agradecer...) chega a fazer-me sentir vergonha da minha terra, ignara e teimosa na (in)consideração pela grande senhora do piano mundial que o destino lhe depositou nas berças. Pérolas a porcos, literalmente.
Continua no caminho certo, Tiago! Bem haja, Profª Tamara!