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O Fundão já tem local para "Casa da Cultura"
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No dia 16 de Dezembro, o Presidente da República veio ao Fundão inaugurar o novo edifício acabado (?) de construir no local onde outrora foi a Moagem.
Para a inauguração, veio à cidade "felicitar a Câmara Municipal do Fundão" o actual delegado regional do IPPAR, que por coincidência é actualmente presidente de uma delegação distrital da Ordem dos Arquitectos - e que por acaso se chama José Afonso - e fez discurso, no qual, ao mesmo tempo que comparou a cultura com a indústria do automóvel, disse que acha que a construção do novo edifício "é uma intervenção muitíssimo bem conseguida" (o superlativo é dele) e foi mais longe: acrescentou que pensa de que a Câmara do Fundão foi capaz de "ter dotado a cidade, e a região, de mais um equipamento cultural que se enquadra dentro da estratégia de promoção do património que deve ser seguida."
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O facto foi, para além da falada inauguração e das ditas arquitectura e palavras, ainda motivo para uma excelente reflexão de Fernando Paulouro, no editorial do Jornal do Fundão, que merece ser retida:
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" A Beira Interior sofreu, durante um tempo excessivamente longo, essa contingência de subdesenvolvimento, remetendo-a para a cauda da Europa, quanto a uma geografia de equipamentos culturais que era a própria dimensão da pobreza. Nas últimas décadas, uma transformação profunda marcou o tecido urbano, na conquista de equipamentos (e, em muitos casos, de requalificação de velhos edifícios) que coloca esta região numa situação invejável para a fruição e prática da cultura. O Fundão, que neste aspecto viveu uma situação mais periférica, tem agora uma casa da cultura, consubstanciada naquilo que se chama “Moagem – Cidade do Engenho e da Arte”, que pode abrir novos horizontes culturais e potenciar, do mesmo passo, uma nova cultura emergente.
(...)
Ao inaugurar o novo equipamento, o senhor Presidente da República quis destacar o papel do “Jornal do Fundão” e o legado do seu fundador, António Paulouro, na linha de uma tradição cultural que impôs o nome do Fundão à escala do país. “Quem diria que um jornal nascido no Fundão podia ter, como teve e continua a ter, com frequência, a sua referência e a sua invocação no litoral e nas grandes cidades”, lembrou o Presidente. (...) Ao sublinhar o património de ideias, de cultura, o ser e estar do “Jornal do Fundão”, o Presidente da República quis relevar, também, a ousadia de romper circunstâncias e limitações, conquistando o seu próprio tempo, isto é, incorporando o futuro no sonho da actualidade. De facto, num tempo em que o conhecimento se tornou tão nómada que hoje não tem fronteiras de qualquer espécie, é bom ganhar consciência de que é na cultura que se trava a principal batalha pela mudança da mentalidade e pela afirmação de uma cidade. Se há terra com pergaminhos nesta matéria, o Fundão tem posição privilegiada. E tem memória. Não seria mau que o lugar de boa parte dessa memória, o Cine-Teatro Gardunha, em vez da decadência arruinada, pudesse ser, também, amanhã, casa viva de cultura.
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