quis fazer da vida uma viagem a todos os lugares - levando ouvidos e trazendo voz

IMAGO NA MOAGEM

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A Moagem «fábrica» de cultura

O IMAGO, festival de curtas metragens, que soube não só tornar-se numa festa cultural, como afirmar-se no panorama internacional dos certames do mesmo tipo, fez antecipar, de certo modo, a abertura da nova casa da cultura do Fundão, a Moagem. Só parcialmente se pode falar na disponibilidade do novo espaço, já que, a curto prazo, voltará a encerrar, para reabrir definitivamente lá para o início do próximo ano. Apesar disso, não poderia aquele espaço ter melhor acontecimento para franquear as portas ao público do que o IMAGO, agora tão geneticamente ligado ao Fundão, cidade que ajudou a ampliar no mapa do conhecimento. Essa ligação afectiva ao lugar sublinha-a Pedro Ramos, em entrevista a este jornal, quando afirma que o IMAGO a morrer um dia, será no Fundão. A Moagem, tão ligada ao imaginário da precária industrialização, foi um projecto de fronteiras alargadas, que os novos tempos, tão multinacionais, acabaram por esgotar. Esse marco visual e de memória faz parte da identidade local. É bom que a cultura lhe dê uso, enquanto o Fundão fica à espera que um dia, o Cinema Gardunha possa também reabrir as portas como a grande casa de cultura de que uma cidade como esta quer ser – precisa.
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Fernando Paulouro Neves, JF, 05.Out.2006