Imperdível
Sair de São Luis tem um sentido obrigatório: deixar a ilha partindo da Praia Grande em direcção ao continente, que se avista em frente, como se fosse ele uma ilha. Vai-se de catamaran ou de lancha mais convencional, na carreira regular dos habitantes locais.
Vamos de lancha, com o guia free lancer Isydio (indicação do Marco Aurélio, da Ecotur, concessionária do turismo na Facudade Maranhense) e a companhia de Lilian e Aroldo Ávila, vindos de Minas Gerais para descobrir o Maranhão e afectuosos companheiros desde este dia.
O mar (nem sempre calmo) aponta-nos a cidade que é Património Cultural da UNESCO, como se fosse uma ilha encravada numa encosta de floresta.
Entramos pela ponte que é móvel pela simples energia das marés. Apaziguamos o calor no bar que dá as boas vindas à cidade, pequeno e rústico. Oferecem-nos o "doce de espécie", delicioso bolo de coco que é especialidade local. O Isydio recomenda que levemos água fresca para a visita da cidade (a pé, claro).
Primeira perspectiva: a da típica rua em ladeira, com calçada "desenhada como a pele do crocodilo, mas ao mesmo tempo mostrando a símbolo da maçonaria":
Sobe-se a rua, genuinamente igual às demais, para se chegar à grande praça da igreja, verdadeiro forum da cidade.
Praça ampla e aberta, cercada por dois dos seus lados de casarões, por um terceiro de construções de rés-do-chão que albergam os serviços públicos principais, e com o quarto lado a deixar abertas as vistas para o mar, ao fundo da encosta.
A igreja ficou reduzida a metade, desde que o barão da cidade mandou demolir o resto dela, para poder do seu casarão ver o mar (e, reza a tradição oral, também a amante, que morava no canto oposto da praça).
Em frente da igreja, o pelourinho, recuperado e recolocado depois de desenterrado... Mas a essa história iremos adiante.
Numa das alas de casarões, o palacete da família Guimarães, outrora morada de ricos colonos portugueses e hoje museu da história da cidade.
A fachada principal é de estilo bem português, toda revestida de azulejo (de Portugal) e com portas e janeas de sacada em madeira e ferro forjado (à portuguesa).
Na traseira, a área dos escravos da casa: as marquises que deitam para o quintal, por onde se fazia a entrada dos escravos para o 1º andar que lhes era destinado. Não falta o poço tradicional.

