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2005 terá sido o pior ano, desde há muito, em Portugal - é o que dizem os porta-vozes da opinião pública nacional. Pensa-se, é claro, na economia. E o pior de 2005 terá sido, talvez, isso mesmo: o primado da economia no pensamento político. Crescimento, produtividade, lucro, desenvolvimento, orçamento, estatística, taxas e números, taxas e números - eis o silogismo capital da política portuguesa (e europeia e ocidental) do tempo presente. Deixou de governar-se para pessoas para se administrar resultados económicos (ou, pior, financeiros), deixou de ver-se o cidadão para se cegar com a empresa. 2005 terminou com os maiores lucros de sempre para as grandes empresas, a par do maior número de desempregados de sempre. 2005 terminou com o maior nível de riqueza dos que são cada vez mais ricos e com a mais miserável pobreza dos que são cada vez mais pobres. 2005 terminou com o mais cavado buraco orçamental das finanças públicas de sempre e com a mais elevada fasquia das despesas públicas. 2005 terminou com o saldo de um ano em que os impostos atingiram o maior volume de sempre e em que os rendimentos do trabalho não directivo tiveram menor aumento. 2006 começa com o anúncio de necessidade de mais aperto no cinto: no primeiro dia do ano sobem os preços de grande parte dos bens essenciais - e aponta-se para uma inflação da ordem dos 3%, com o aumento dos salários em apenas 1,5%.


2005 terá sido o pior ano, desde há muito, em Portugal - é o que dizem os porta-vozes da opinião pública nacional. Pensa-se, é claro, na economia. E o pior de 2005 terá sido, talvez, isso mesmo: o primado da economia no pensamento político. Crescimento, produtividade, lucro, desenvolvimento, orçamento, estatística, taxas e números, taxas e números - eis o silogismo capital da política portuguesa (e europeia e ocidental) do tempo presente. Deixou de governar-se para pessoas para se administrar resultados económicos (ou, pior, financeiros), deixou de ver-se o cidadão para se cegar com a empresa. 2005 terminou com os maiores lucros de sempre para as grandes empresas, a par do maior número de desempregados de sempre. 2005 terminou com o maior nível de riqueza dos que são cada vez mais ricos e com a mais miserável pobreza dos que são cada vez mais pobres. 2005 terminou com o mais cavado buraco orçamental das finanças públicas de sempre e com a mais elevada fasquia das despesas públicas. 2005 terminou com o saldo de um ano em que os impostos atingiram o maior volume de sempre e em que os rendimentos do trabalho não directivo tiveram menor aumento. 2006 começa com o anúncio de necessidade de mais aperto no cinto: no primeiro dia do ano sobem os preços de grande parte dos bens essenciais - e aponta-se para uma inflação da ordem dos 3%, com o aumento dos salários em apenas 1,5%.
Eis o que o reino dos economistas nos tem proporcionado. Eis o que a economista e economicista classe dirigente promete que vai "aperfeiçoar" em 2006, com mais estritas regras sobre o cresimento económico, a produtividade, o crescimento dos lucros dos que tiveram estrondosos lucros em 2005, o estrangulamento do cinto daqueles que já em 2005 o tinham apertado até ao último furo.
O mundo da economia, que tomou conta da capacidade de entender e querer da comunicação social e do poder e, receando poder ser travado por uma visão humanista dos principais bastiões de influência, está já também a encarregar-se de tomar a presidência da república, impôs-se como mundividência global e totalitária. Uma mundividência a que são estranhos os conceitos de igualdade, de fraternidade, de coesão social, de justiça natural - de felicidade das pessoas. E adverso o próprio conceito de pessoa.