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Alberto João e as suas diabruras
UMA das notas mais evidentes da debilidade da cultura democrática é a impunidade com que alguns políticos afirmam a sua boçalidade, num discurso que é a imagem acabada de falta de carácter e, até, de personalidade mal formada. Fazem palhaçadas, diabruras, que as televisões captam e a que dão dignidade informativa (às vezes, até os levam ao estúdio!). O dr. Alberto João Jardim, que alguns consideraram já inimputável, dá com frequência espectáculos de circo involuntário na sua ilha. Ninguém o mete na ordem. O PSD bem comportado, que o detesta, está prisioneiro dos seus votos, e finge ignorá-lo, quando não diz: esqueçam, não é para levar a sério! Insulta toda a gente, do Presidente da República ao Governo e à Assembleia da República. Mas como ninguém lhe vai à mão, o pobre homem continua os seus números de circo. No mais recente episódio histriónico voltou à carga com os jornalistas (”do Contenente”, já se vê...) e vai de lhes chamar “filhos de puta”. Não se devolve a infâmia à procedência por respeito à mãezinha. Mas já agora, fazemos nossas as palavras de Vital Moreira: “As incríveis declarações de A. J. Jardim sobre os que escrevem nos jornais continentais não é somente mais um exemplo de rotunda má-criação, mas também de total ausência de sentido de responsabilidade pública e de dignidade institucional. Por que maldição teremos de continuar a aturar os dislates desta criatura?” É verdade. Ainda mais porque o circo nos sai caro. Era muito mais barato contratar palhaços verdadeiros e pô-los a percorrer o país, o Continente e as ilhas. Ganhávamos todos. Até o défice!
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* Fernando Paulouro Neves (Lido & Registado), Jornal do Fundão de 10.Jun.2005
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