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Tempo
Prazo da vida vertigem da morte
Marcha intocável que a tudo entorpece
Vórtice em que a matéria se esvanece
Paradoxo de o destino ser sorte
Se és de amar mal chegando já te vais
Passas no momento paras na hora
Fazes-te instante espera e demora
E na saudade és sempre o nunca mais
Pressa do fim no vagar do começo
Tarde és avanço e cedo regresso
Ao nada em que culminas por sucesso
Pudesse a tua fúria ensandecer
A lúcida impotência de me ver
A ter-te horror só por já te não ter