quis fazer da vida uma viagem a todos os lugares - levando ouvidos e trazendo voz

quadratim - 8

.
O ANO DO QUIXOTE

"O sonho não tem limites. A literatura, porque é obra do homem, é feita desse infinito tecido imaginário. A página em branco, essa, junto à qual Carlos de Oliveira mostrou como o lume das palavras é dolorosa combustão da alma do poeta, pode transformar-se em louvor da criação, afirmação de intacta humanidade, e ficar para sempre cativa da admiração universal. Página após página, palavra após palavra, o romance se edifica como casa ou destino intemporal que cada um, e todos - se todos tivessem acesso à cutura (desmesurada utopia) - hão-de frequentar e viver também como coisa sua, a tal matéria comum dos sonhos que alimenta a vida, para além daquilo que é efémero e rotineiro. Este ano, que agora dá os primeiros passos, já tem sobre si um acontecimento notável que se vai projectar, decerto, pelos dias de 2005 como uma grande festa da Humanidade. É que se celebram quatrocentos anos do Quixote. Há quatro séculos, Miguel de Cervantes construíu D. Quixote de La Mancha, romance dos romances, património universal, e inesgotável rio que alimentou e alimenta a arte de contar."
(...)
"O ano do Quixote está aí. Não faltam anunciadas por todo o mundo iniciativas celebratórias do Engenhoso Fidalgo. A geografia do Quixote, de Toledo a Barcelona, bem merece a identificação física e afectiva dessas rotas do D. Quixote de la Mancha, para sempre considerados santuários do sonho. (...)"
.
Fernando Paulouro Neves, Jornal do Fundão de 7.Jan.2005