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Saudade
Saudade não é dor é retempero
É dom de se guardar o que se foi
É força do que a vida nos corrói
É seguro alcançar no desespero
É sem ter mais somar e dar igual
É o multiplicar na subtracção
É resto da perfeita divisão
Falha infalível na prova real
É gerúndio no modo conjuntivo
É futuro no presente imperfeito
É o infinito ser imperativo
É calor na invernia furtivo
É rio seco em transbordo do leito
É pelas nuvens vadiar o cativo