quis fazer da vida uma viagem a todos os lugares - levando ouvidos e trazendo voz

desarquivos (4)

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INVASÕES NAPOLEÓNICAS NA BEIRA BAIXA (cont.).
"No dia 10 entraram em Alpedrinha coisa de oito mil homens, e nella commetteram todos os horrores imaginaveis, começando por queimar quatro grandes moradas de casas, e em uma, alem de outros effeitos ricos, havia um armazem de vinhos. Verteram, quebrando as vasilhas, todo o azeite, principalmente de um proprietario em cujos armazens encontraram a mesmo tempo quazi trezentos alqueires de azeite, e mais de quinhentos almudes de vinho; rasgaram todas as roupas; desperdiçaram as sementes que não poderam levar; que nada por occuto ou enterrado pôde escapar à grande perspicacia para a rapina, em que tanto se distinguiram os exercitos. Os templos foram por elles tratados como curraes.
"Mataram quatro pessoas, e dois enfermos morreram pelos balanços e maus tratos que lhes deram; tres mais sobreviveram às suas feridas. No dia 11 partiram para Castello Branco, mas continuou a passar por aqui todo esse dia e seguinte, tropa, que desfilava do Fundão para aquella cidade; nesta se dividiram em dois corpos, e sairam ambos no dia 13 de noite, um pela estrada de Escallos de Cima a saquear os povos da raia, como Medelim, Pedrogão, etc., outro por Atalaia em direitura ao Catrão, e se reuniram no Alcaide com a escolta do general; fazendo um retrocesso inesperado, cairam sobre Alpedrinha no dia 14 ao principio da noite, onde surprehenderam muitas pessoas de todas as idades e sexos, satisfazendo aos impulsos da mais brutal sensualidade, e acabando de levar as reliquias dos seus primeiros roubos, deixaram esta villa uma sepultura de vivos, ficando os edificios, que até ali adornavam, uns de todo queimados, outros começando a arder, cujos fogos foram suspendidos com trabalho immenso dos desfallecidos moradores. Todos em uma palavra ficámos reduzidos à triste classe de miseraveis."

(Claudio Chaby - "Excerptos Historicos e Collecção de Documentos Relativos à Guerra Denominada da Península")