

Aqui, vivemos o Brasil do nosso imaginário de sempre. O centro histórico de São Luis torna-nos seus.A 1ª noite é de partilha. O Município de São Luis organiza e os ludovicenses oferecem-nos a serenata noturna.
A banda de violão, cavaquinho, pandeiros, pandeireta, flauta, rabeca (e que mais, para além da voz?) segue na frente. Vamos todos a segui-la - os turistas e os da terra, que às quartas-feiras reservam a noite para o passeio noturno. Estamos na serenata!

Bem no centro histórico de São Luis, a Rua Portugal é uma extensa fiada de "casarões" de "sobrados", alguns dos quais revestidos de azulejos de riquíssima variedade, todos transportados de Portugal no tempo do império.
A rua é perpendicular à Rua do Comércio, principal centro do movimento da zona histórica. Durante o dia, respiramos ali o Brasil quieto e tradicional do "meio-norte" equatorial, enquadrando o comércio tradicional (curiosa a livraria "Poeme-se"). À noite, é o mais animado ponto de convívio.
Por ali pontificam restaurantes de excelente cozinha (destaque para o "Antigamente", na Rua do Comércio), que eu preferi para o almoço do 1º dia e onde jantámos num agradável serão com os casais Laura/João Moita (de Faro) e Conceição/António Vilaça (de Braga), companhia da melhor.
Verdadeiro achado neste Verão. O Maranhão tem tudo o que procura quem se cansou do turismo de pacote de um "primeiro mundo" decrépito e autofágico.
À porta da Amazónia (em quase tudo o que o pulmão do mundo tem de bom), o Maranhão tem claramente as costas voltadas para as vizinhas regiões do turismo brasileiro de hipermercado que se vende em Natal, Fortaleza, etc.
Ambiente e Património tornam imperdível este vasto canto do "meio-norte" brasileiro, onde até a romântica capital São Luis e a ilha em que se implanta estão bem conservadas.
São Luis é Património Mundial classificado pela UNESCO.
Cidade tranquila e acolhedora, faz da cultura rainha venerada e motor de desenvolvimento.
Os "casarões" e os "sobrados" das ruas estreitas e inclinadas (por vezes com os degraus que fazem lembrar Coimbra) são uma marca deixada pela perfeita mistura do império português e do classissismo francês com os traços da cultura autóctone, que nunca perderam a dignidade nem abdicaram da sua própria identidade.
Os Lençóis Maranhenses
Paraíso imenso, impecavelmente guardado de veículos, bicicletas, pranchas e lixo, estamos noutro mundo quando nos afoitamos pelos lençois maranhenses, centenas de lagoas de água doce numa extensão de 155.000 hectares. O parque dos lençóis está classificado como Património da Humanidade.
De Barreirinhas, sai-se num "pau-de-arara", tractor com bancos corridos na caixa de carga. Atravessa-se numa balsa o rio abundante de margens "vedadas" pela vegetação de mangue, que mais parece uma imensa sebe plantada no leito do rio. Continua-se, em piso de areia macia, pelo meio do mangue selvagem e imponente (faz lembrar África...). Depois de quarenta e cinco minutos de aventura, a vegetação cessa subitamente... e chegámos à porta dos lençóis maranhenses. Pode-se conquistar todo, desde que a pé e sem transportar ferramentas nem deixar o ínfimo resíduo. Adiante, uma imensidão de dunas claras e lagoas azuis.
Deserto povoado de imensas lagoas azuis? "Mar" interior, de água doce e mil dunas de areia macia e branca? Talvez ambos - e o orgulho de todos os maranhenses, velhos e novos, letrados e analfabetos. Ninguém permite que a natureza seja perturbada. Caminhar pelas dunas e descer para mergulhar nas extensas lagoas auis e cristalinas é fugir de um planeta que o Homem amaldiçoou. A vista aérea é um assombro:
Indispensável ver e sentir de perto, lá em baixo.
Indescritível a experiência de caminhar por aquelas dunas e nadar naquelas lagoas...
Mas aquela luz é para sentir na pele. Aquelas luminosidades variadas que as nuvens nos dão...


