quis fazer da vida uma viagem a todos os lugares - levando ouvidos e trazendo voz
O teu nome
(esse por que te chamo ainda)
estava ali
ao meu lado - ou dentro de mim.
Apenas o nome que é apenas nosso,
foi o que acordou comigo,
como se me acordasses tu
ou te chamasse eu
enquanto relegava o despertar.
Silente (secreto, que o tivemos e o guardo),
mudo como a penumbra da minha alcova,
o teu nome preenchia-me a solidão.
Estavas colada a mim,
e ficavas... e aqui estás -
- é ainda do teu corpo este silêncio,
é o mesmo o calor em que me descansam os olhos;
resistes, comigo, a receber a manhã,
teimamos juntos no sono da noite.
És tu,
estamos os dois,
como se fosse não menos que uma noite mais,
como tantas,
como se as tivéssemos ainda,
como se o acordar desta manhã fosse, de verdade,
o despertar que há tanto tempo não temos,
senão nos amanheceres, como o de hoje,
em que o sonho te me traz...
e amaldiçoo a manhã da realidade
que te me rouba de seres, como outrora, minha. 
Sou teu,
és, pelo sonho de noites como esta,
a minha saudade inteira;
e, por ti, regresso à felicidade dos nossos dias
e, como se o teu abraço ainda aqui me aquecesse,
deixo-me ficar dentro dela
- e guardo-me, semicerrado neste descanso,
sereno ante tudo o que passou
consolado pelo que ficou para sempre.








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