quis fazer da vida uma viagem a todos os lugares - levando ouvidos e trazendo voz
O que eles dizem saber que nós queremos dizer
quando "interpretam" o nosso voto, é uma coisa - e o que nós queremos dizer e dizemos é outra, muito diferente.

A primeira (o que eles interpretam) é uma abstrusão cheia de sinuosidades, induções transviadas e deduções silogísticas. A segunda (o que nós dizemos) é muito clara, linear - tão simples como abrir os boletins de voto, verificar as cruzes e somar.
Eles andam por aí a dizer que nós, a maioria do Povo eleitor, quisemos "dizer" que o importante é defender o tratado orçamental, que proscrevemos que nem leprosos aqueles que não acreditarem no euro e até - vejamos lá! - que antes morrer de fome do que não gostar da NATO.
Nós, que não fomos chamados a um referendo sobre tratados orçamentais, nem plebiscitos sobre moeda, nem ratificações de alianças militares, nós pensámos e soubemos que íamos e fomos mas era votar para elegermos o Parlamento, o nosso "Primeiro Poder". E fomos. E dissemos quem queremos no Parlamento - que é o mesmo que dizer a quem entregamos o poder de fazer maiorias de governo, aprovar e demitir governos. E está feito, tudo clarinho como água. Maioria é maioria, que é como quem diz mais de metade do total; e minoria é o que não chega a maioria.
A maioria lá está na sua parte da bancada - e são 122 num total de 230. E a minoria lá está também - e são 107 no mesmo total. E lá está também o PAN, mas este não se armou a dizer parvoíces. Como aquela idioteira de fazerem terror com a NATO, uma instituição militar que, por acaso, teve apenas dois incidentes com o Estado Português, um nos idos de oitenta e outro nos idos de 90, e em ambos os casos foram umas merdices dumas crises provocadas pela estupidez de um Primeiro-Ministro chamado Cavaco e de um Presidente chamado Aníbal - crises que, por tal sinal, logo foram diplomaticamente resolvidas, a primeira por Mário Soares e a segunda por António Guterres. E tudo passou, sem que os comunistas tivessem querido papar criancinhas - e sem que a NATO tivesse metido medo a alguém. Enfim...
O que dissemos nós, então?

O que disseram os votos da Nação, no dia 4?
Disseram, claro como água, três lições:
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1 - Em Portugal, a Direita toda unida tem mais números do que cada uma das partes da Esquerda desunida.
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2 - A Direita, mesmo toda unida, tem menos força que a Esquerda unida;
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3 - A Direita, quando perde (mesmo toda unida no monolítico "Partido Popular Europeu") não quer saber do que nós temos para dizer à Europa - mete-nos medo com o que a Europa, aquela Europa que lhe interessa, tem para nos impor a nós. Ao passo que a Esquerda (unida entre visões plurais da Europa e do Mundo) se limita a ver o nosso voto, a vontade da maioria de nós, como a força daquilo que Portugal tem para fazer consigo mesmo - que também é o que tem para dizer à Europa.

E nós, a maioria do Povo, que é quem dá corpo concreto àquilo que em Ciência se chama Democracia, continuamos a saber que o que dizemos, dizemos, o que queremos, queremos - e só não toleramos é que queiram digam por nós o que nós não dissemos. Porque isso é o que em Ciência se chama demagogia.

25.OUT.2015