"Até ao último dia do meu mandato guiar-me-ei sempre, sempre, sempre pelo superior interesse nacional".
Arrogando-se ungido pelo deus da seita que chefia (o que vale por dizer ungido por ninguém, ou por si próprio - o que é o mesmo) o mesmo tipo que apregoa a ladainha do "consenso" explicando logo que 'consenso' é estarem todos de acordo com o seu poder e as suas malandragens mil, já tinha dito que a vontade do povo eleitor é aquela que ele disser,
e que a 'real' vontade dos socialistas portugueses é aquela que ele muito bem quiser,
e que a palavra dos deputados da Nação devia ser aquela que ele lá tem na real gana,
e que a 'tradição' é aquilo que consegue discernir a sua cabecinha (chamemos-lhe assim),
e que isto de Democracia devia ser uma coisa assim como uma corrida ao pote e aqueles que chegassem primeiro ficavam com o pote,
e que ele pode mais do que dissolver o Parlamento, ele pode até extinguir o Poder Legislativo, basta-lhe querer e os poderes do Parlamento é ele que vê se os deixa exercer.
Pronto, a triste figura que nos tem envergonhado por esse mundo fora já disse (e fez) todas estas singularidades.
Podia ficar por aí - que a gente até já nem estranha, animada que está pela proximidade da declaração oficial do óbito da triste sina que desde há dez anos nos saíu na rifa.
Mas não.
Hoje foi ainda mais além. E declarou, para quem o quis ouvir (e mais uma vez diante do testemunho de estrangeiros, que já se cansaram de encolher os ombros quando se riem dele) - declarou que ele é que diz o que é o "superior interesse nacional".
Mesmo que ele defina o "interesse nacional" contra a Nação, reunida no seu órgão de poder máximo e pronunciando-se pela sua própria palavra, que é a da sua maioria. Porque se a Nação conseguiu um consenso entre aqueles que dialogam para chegarem ao consenso... bem, isso não é consenso, não é bem consenso, mesmo consenso. Porque, então, nós não vemos que não é esse consenso que ele quer, chiça?!
