quis fazer da vida uma viagem a todos os lugares - levando ouvidos e trazendo voz

Just that

Just that

O drama dos refugiados a que o novo vocabulário chama 'migrantes' choca todos, emociona muitos, indigna bastantes - e é até negócio para alguns. Os mais lúcidos sabem que o problema não é dos 200.000 desesperados que até agora já se lançaram ao Mediterrâneo. "Não à procura de melhor vida - à procura de vida". Enfrentando no mar os novos muros que lhe apontam a morte, a morte que eles deixaram para trás.
Os jornalistas fizeram à volta da indignação colectiva 'sound bites' - como que uma moda convidativa às multidões que há uns meses eram, em uníssono, "Charlie". É isso mau? Só para quem farisaicamente se veste dessa "moda" com a hipocrisia daqueles que passam todos os dias por centenas de sem-abrigo, milhares de crianças com fome, milhões de pobres e humilhados - e passam, apenas.
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Para uma Europa de placebos de cidadão que jogam quotidianamente o 'salve-se quem puder' de buscar um arranjinho para os seus enquanto lhes é indiferente que o vizinho morra de fome e indignidade - para esses, cuja esmagadora maioria não sabia onde fica a Síria e muito menos dos dramas que as recentes invasões dos predadores de petróleo e outras riquezas causaram em vastas áreas de África, da Ásia, da América Latina e... da Europa do Sul, para esses não é assim tão mau que o 'sound bite' do emoção e do choque faça saber que este mindo é, afinal, feito de diversos mundos.