O grupo financeiro que dirige a UE, aliado ao FMI, investiu mais de 25.000 milhões de euros em jornais e canais televisivos (em Portugal não são só tabloides como o Correio da Manhã, o Observador e o i – são também a TVI, a RTP, o Expresso, o Público e a Sábado) para colocar toda essa imprensa amiga a encher as 1ªs páginas, fazer manchetes e fabricar artigos de opinião com uma mensagem centrada em 3 eixos:
1) O regime social europeu (conquista histórica da filosofia do modernismo) é o causador da crise despoletada com o rebentamento das bolhas em que os multimilionários financeiros apostaram fortunas maiores que o tesouro de qualquer país;
2) A via da salvação é a austeridade, a principal arma é a privatização de tudo o que dê lucro, a maior necessidade é que a dívida pública (normalmente pagável a 30, a 50 e a 100 anos) seja paga pelos Estados pobres imediatamente;
3) O maior inimigo do “empresário amigo”: os movimentos, partidos, economistas (alguns prémios Nobel) ou pensadores que defendem e demonstram a ignomínia de se sacrificarem pessoas, famílias, povos e nações inteiras para que o gang financeiro no poder da UE recupere os biliões que estoirou nas apostas de casino das principais bolsas europeias. Maior do maiores inimigos, é claro, o Governo da Grécia.
Com esta doutrina, a U.E. proclamou que o “melhor aluno” é o servilismo (capanguismo) português e o primeiro alvo a arrasar é o patriotismo grego.
O que mostram os resultados
(falando apenas pela frieza dos números, dos números oficiais):
GRÉCIA, ENTRE 2010 E 2014
- Cortou 47% nas pensões (em 11 cortes sucessivos)
- Retirou ao sistema nacional de pensões 13.000 milhões de euros
- Cortou 30% nos funcionários públicos
- Teve uma quebra de 33% no consumo
Com tão brutal austeridade, a níveis de que na História nenhum outro país se submeteu ou de que sequer esteve próximo, a Grécia está hoje assim:
- Queda de 61% da pensão média
- 45% dos pensionistas abaixo da linha de pobreza,
- Desemprego em 27% (50% de jovens desempregados)
Perante a situação de miséria, verdadeira catástrofe humanitária, a que a austeridade salvadora do capitalismo financeiro reduziu a Grécia, a U.E. e o FMI exigem “apenas” uma regra: que os gregos continuem e reforcem a austeridade – e privatizem tudo o que dê lucro, como fizeram os “bons alunos” portugueses.
Regra única da troika U.E./B.C.E./F.M.I.: Deixem de comer, deixem de viver, morram de doença, de fome ou do que for, mas contraiam dívida diante dos que emprestam… e paguem com o património e as riquezas dos vossos países. EDPs, RENs, CTTs, TAPs, PTs, Hospitais públicos, Escolas e Universidades, edifícios históricos e tantas outras riquezas – tudo serve como moeda de pagamento dos juros que o capitalismo financeiro faz o favor de emprestar aos Estados soberanos, em troca de uns lucrozitos de milhares de milhões de euros ao ano.
Entretanto (noblesse oblige…) o Primeiro-Ministro dá uma conferência de imprensa – e concorda que tem toda a razão aquele ódio que o Senhor Presidente cospe para cima dos gregos sempre que sai em campanha eleitoral a favor da maioria.
E a imprensa “amiga” continua a gritar: Abaixo os preguiçosos gregos! Vivam os bons alunos portugueses.
E a malta, por cá, vai na onda. Ou faz de conta que compreende e aceita. E ajeita-se – cada um como puder, que o sustento dos meus filhos não tem nada a ver com a fome dos meus vizinhos. E toma lá um voto e dá cá um lugar. E tome lá V. Exª os meus filhos e faça-me deles uns homens. E que se fodam os filhos dos meus semelhantes e dos meus compatriotas e dos meus conterrâneos e dos meus vizinhos e dos meus irmãos – e todos, menos os filhos de V. Exª, que deus os abençoe e bem haja e sempre às ordens.
Os fantásticos resultados que a austeridade dos bons alunos deu pelas bandas de cá? – Quero lá saber dos números, ora! Logo agora, que a gente está tão bem! Olhe, com sua licença, eles que metam os números naquele sítio que a gente sabe!
