quis fazer da vida uma viagem a todos os lugares - levando ouvidos e trazendo voz

14.Mar.2015

Os caminhos das estrelas

NO BOM CAMINHO...

O ano de 1966 foi, até há pouco tempo o máximo da nossa vergonha: nesse ano 120.000 portugueses emigraram em busca do ganha-pão.
Nos seus 4 anos de exercício, o actual Governo conseguiu expulsar para o estrangeiro 460.000 jovens, batendo e re-batendo o vergonhoso record.
Para se redimirem diante dos eleitores, os candidatos a renovação de mandato anunciaram agora o programa VEM. Um programa fantástico, digo eu. Prevê apoiar o regresso de emigrantes, projectando alcançar 50 beneficiários.
Quer isto dizer que, se o programa correr bem, daqui a 9.200 ANOS Passos Coelho e as gerações dos seus filhos, netos, bisnetos e mais 181 gerações seguintes de laranjinhas terão conseguido trazer de volta todos os emigrantes que escorraçaram neste quadriénio.
Com uns pequenos pormenores: Esse sucesso será conseguido se a partir de hoje não emigrar nem um só português, e se não se candidatarem ao programa VEM portugueses emigrados antes de 2011, e se os emigrantes que quiserem regressar aceitarem voltar a Portugal sem trazerem os filhos e família que tiveram na diáspora - e, já agora, se os beneficiários do programa conseguirem viver 9.200 anos para chegarem a Portugal a tempo de, ao menos, morrerem em casa.
Mais optimista do que eu (e que o realismo da matemática) é o Governo: Se as coisas correrem muito muito bem PODE SER QUE se consiga duplicar o número de beneficiários. Nesse caso, os nossos emigrantes só terão de esperar 4.600 anos para regressarem à Pátria.
Digam lá que não é fantástico! Maior fantasia não há.
Bom... mas para este fantástico sucesso, os rapazes de Passos e Portas teriam que alcançar o sonho do Cavaco: ganhar as próximas eleições.
Nesse também fantástico cenário e vistas bem as coisas, tudo se tornaria mais fácil: no 1º dia do novo mandato o Governo teria uma solução para os emigrantes e ainda mais 460.000 piegas: emigrarem. Rapidamente e em força.

PALMARÉS DE LONGO CURSO

1997 – Candidato à Câmara da Amadora. Perde, mas é-lhe oferecido um pelouro. Recusa.

1998 – Deputado, eleito pela JSD.

1999 – Abandona o Parlamento. Recebe de uma organização (CPPC) remunerações contabilizadas como “despesas de representação”. Não paga IRS.

2000 – Disputa a Distrital de Lisboa do PSD. Perde.

2002-2004 – Aos 35 anos, continua matriculado no ensino superior, mas sem resultados. É integrado no quadro de diversas empresas de Ângelo Correia e outros ‘barões’ laranjas.

2003-2007 – É executado em cinco processos por fuga ao fisco.

2004 – Aos 37 anos, obtém uma licenciatura numa universidade privada. Continua no quadro de diversas empresas laranjadas, tornando-se presidente de uma delas, a RibTejo.

2004-2008 – A RibTejo sofre várias condenações em tribunal, por violações de normas de qualidade e ambientais com benefício económico.

2004-2008 – Além da RibTejo, outras empresas que “administra” (como a HLCT e a EcoAmbiente) têm condenações judiciais por actividades ilegais e irregulares.

2009 – Prescrevem dívidas suas à Segurança Social por fuga ao pagamento de contribuições durante pelo menos 5 anos.

2004-2010 – É administrador da Formentinvest, quando esta empresa é protagonista de uma denúncia de gestão danosa no New Energy Fund, um fundo de 100 milhões de euros.

2012 – Já primeiro-ministro, é descoberto como devedor relapso ao Estado. Não paga (vindo mais tarde a dizer que tencionava pagar em 2016 ou 2020).

2014 – Anuncia no Congresso do PSD que o seu governo é implacável com aqueles que não pagam ao Estado. O seu governo penhora mais de quinze mil casas por dívidas fiscais de desempregados e pequenos empresários que faliram nos últimos 3 anos.

2015 – Anuncia que, apesar de as suas dívidas ao Estado estarem prescritas, vai pagá-las de imediato. Paga uma parte delas, cerca de metade. O Governo anuncia que vai agravar a perseguição das dívidas à Segurança Social, punindo com prisão os devedores.