quis fazer da vida uma viagem a todos os lugares - levando ouvidos e trazendo voz

25.Jan.2015

A hora de morrer
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No tempo em que o Fundão falava e os interesses públicos eram ponto de honra para a denúncia, não era assim. Agora, tudo se dissolve na inevitabilidade das políticas da maioria, nos objectivos precisos de um governo que cumpre os seus imperativos de limpar do terreno a coisa pública, mesmo que ela represente a cobertura constitucional de direitos elementares. Agora, não se levanta a voz ou fala-se baixinho porque, mesmo sobre a essencialidade da vida e da morte, o medo parece ter paralisado a cidadania.
(…) o Ministério da Saúde (que tão mal tratou o Fundão e a região no caso da instalação de serviços de Medicina Nuclear) concretizou um protocolo com a União das Misericórdias e a Misericórdia do Fundão para a cedência (ou transmissão) do Hospital do Fundão à Misericórdia local.
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Fernando Paulouro, Notícias do Bloqueio

ESTE INTERIOR que foi ficando cada vez mais entregue a si mesmo para sobreviver, viu chegada a hora de ficar entregue a si mesmo para morrer.
O negócio, claro - sempre o negócio. E um plano tão espertamente traçado, tão rapidamente executado, tão facilmente concluído. Afinal, o plano de sempre: Governo central e Igreja puseram os respetivos caciques no terreno - e num ápice os autarcas comissários do primeiro e a irmandade enviada da segunda, já todos misturados e reunidos nas mesmas pessoas físicas, fizeram o seu papel: calaram uns para jogarem os outros, que é o mesmo que dizer facilitaram-se os mesmos e a si mesmos.
Tudo fácil, mais número de circo menos golpe de teatro, na hora certa foi comer e calar. Comeram uns e calaram os outros. E, como é da praxe, os mesmos de sempre foram comidos e calados. Ou, melhor ditas e mais subtilmente feitas as coisas, eles arranjados orientaram-se para que nós calados fôssemos comidos. E fomos.