Quando já nada havia no BES e já tudo estava safo nas contas pessoais, a aliança especuladores-corruptos entregou a ruína nas mãos do Estado, para que o Estado dê a cara ao contribuinte-investidor com o dinheiro dos impostos do contribuinte-empobrecido.
E agora é, afinal, tudo muito simples:
As comissões de inquérito, os órgãos de poder democrático e a opinião pública entretêm-se com palpites sobre o quem e o como da ruína. E à aliança dos poderosos sobra o “trabalho” de criativamente lançarem premissas para a confusão dos palpites.
Esgotadas as apostas, sairá jogo branco. O branco que vem sujo desde o início.
1. Em 2005 o sistema financeiro internacional descobriu a sua completa podridão.;
2. O BES foi genuína peça dessa “máquina” de especulação europeia e mundial;
3. Os ‘donos’ da especulação europeia (máfias da finança especulativa e gangs de políticos corruptos) disfarçaram enquanto puderam a derrocada, alimentando a bolha em que as classes médias se iludiam com as suas poupanças – e aproveitando essa bolha para porem a salvo os seus milhares de milhões que injectaram em economia paralela (off shores incluídas);
4. A partir de 2010, sem controlo no sistema financeiro e com total controlo do poder político corrupto (Grécia, Espanha e Portugal foram os países em que se fechou a porta do assalto ao poder político) a tentacular aliança entre financeiros especuladores e políticos corruptos abriu a fase derradeira e desesperada da sua própria salvação – passando as suas falências e os seus activos tóxicos para os Estados Nacionais e sacando dos Estados (por privatização) as empresas e os activos que se mantinham saudáveis e lucrativos, porque tinham sido geridas pelo Estado;
5. O BES cumpriu essa sua parte: gerou dentro de si um gigantesco – astronómico! – buraco financeiro, para o entregar nas mãos do Estado gerido por políticos corruptos e servis. E chupou tudo quanto era activo líquido para contas privadas dos seus donos em off shores e economias ocultas (com cumplicidade da corrupção política, a troco de “luvas”, comissões e outras benesses).
6. Em 2014 o BES era uma farsa com duas faces – uma, oculta, podre e totalmente esvaziada de capitais, desviados para as fortunas pessoais de especuladores e políticos corruptos; e a outra, revelada por uma máscara, atraindo as poupanças dos investidores “mexilhões” da classe média, graças à aldrabice e propaganda dos traficantes de influências e de comunicação.
7. Carlos Costa começou por alertar Ricardo Salgado de que estava a chegar a hora de o por a salvo da débacle total – e assim lhe deu tempo para ele retirar todo o resto que ainda existia de activo no universo BES. Com isso, puderam os amigos especuladores safar também o que ainda não tinham salvo, a troco de ajudarem a enganar o ingénuo “mexilhão”. Costa, Cavaco, Barroso e as respectivas redes mafiosas lançaram-se numa campanha de lavagem pública da imagem do BES – e o “mexilhão” a continuar a injectar poupanças, para eles acabarem de sacar.
8. Quando já nada havia no BES e já tudo estava safo nas contas pessoais, a aliança especuladores-corruptos entregou a ruína nas mãos do Estado, para que o Estado dê a cara ao contribuinte-investidor com o dinheiro dos impostos do contribuinte-empobrecido.
E agora é, afinal, tudo muito simples:
As comissões de inquérito, os órgãos de poder democrático e a opinião pública que se entretenham com palpites sobre o quem e o como da ruína. E à aliança dos poderosos sobra o “trabalho” de criativamente lançarem premissas para a confusão dos palpites.
Esgotadas as apostas, sairá jogo branco. O branco que vem sujo desde o início.