quis fazer da vida uma viagem a todos os lugares - levando ouvidos e trazendo voz
O grammy do fado e o ténis de Kuala Lumpur

Carlos do Carmo esteve hoje em Las Vegas, para receber um Grammy pela sua carreira. A distinção tinha sido anunciada em julho passado – vinda dos E.U.A., quando por cá andavam os portugueses entretidos com outras questões e diferentes problemas, como o colapso do BES ou a exaltação do fado como “património imaterial”.
Quando em julho chegou a notícia do reconhecimento mundial de Carlos do Carmo, o presidente Cavaco Silva estava ocupado com uma prioridade: garantir aos portugueses que podiam (deviam?) investir no BES.
Hoje, Carlos do Carmo foi receber o honroso galardão – enquanto Cavaco estava ocupado com que respondeu aos escândalos da maior fraude da história bancária portuguesa e à operação de caça-falcatos que levou a Polícia Judiciária a desvendar a mais refinada rede de corrupção já descoberta nas altas esferas da política governamental, encostando à parede o ministro que teve de se demitir. Estava ocupado o presidente – ocupado a pensar o silêncio com que respondeu aos portugueses. O silêncio que é, para ele, o nosso fado
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Na mesma semana, o cantor teve duas alegrias: recebeu um prémio internacional pela sua carreira e não recebeu os parabéns do Presidente da República. Isto, para mim, é a definição de prestígio.
(…) Uma chamada local custa 0,0861€ no primeiro minuto e 0,0391€ por minuto nos minutos seguintes, já com o IVA incluído. A factura de um telefonema de felicitações a Carlos do Carmo poderia ascender a cerca de um euro(…) Um telegrama tem a vantagem de não fazer falar o fadista, mas custa à volta de três euros. Ora, Cavaco já disse que o dinheiro não lhe chega para as despesas, e no fim do ano passado já felicitou o tenista João Sousa pela vitória no torneio de Kuala Lumpur: "Não posso deixar de dirigir uma felicitação muito, muito sincera e com um grande sublinhado porque projecta o nome de Portugal para o 'top' daqueles que se destacam na prática do ténis".
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Ricardo Araújo Pereira, Visão, 17.Jul.2014