28.Nov.2014
Fernando Paulouro Neves, blogue Notícias do Bloqueio
“Ferreira Fernandes publica hoje uma das suas crónicas, no "Diário de Notícias", cuja leitura aconselho vivamente. Há uma inquietação latente, entre os que praticam a narrativa informativa, como agora se diz, a propósito de um conceito voraz de informação que se vem instalando na sociedade portuguesa, segundo o qual na informação vale tudo, porventura "até tirar olhos", para vender papel. Diluíram-se as fronteiras da respeitabilidade humana num atoleiro em que se legitima tudo -- até os persistentes ataques ad hominem, que não poucos reclamam como naturais. Ferreira Fernandes é a isso que reage. Assiste-se ao espectáculo deplorável e não podemos deixar de interrogar se o Código Deontológico serve ainda para alguma coisa. Porque, na verdade, o documento todos os dias é rasgado, publicamente.
Vale a pena ler a crónica de Ferreira Fernandes”
Ferreira Fernandes, Diário de Notícias
"Debica indícios, cronista, debica, e bolça certezas
João Miguel Tavares julga que por olhar muitas vezes para uma mulher a consegue engravidar. Ora, o indício de um interesse não garante a prova do teste positivo. Ontem, defendeu, no Público, que os "fazedores de opinião", a expressão é dele, deviam culpar Sócrates porque "ali entre 2007 e 2011, (...) se não havia provas, havia infindáveis indícios". A tese é velha, muitos dizem-na assim: "Não há fumo sem fogo...", "Eu cá não sei, mas dele já ouvi do pior...". Geralmente ouço o mesmo sentado no banco de trás, enquanto o taxímetro avança. Geralmente desligo-me das insídias e leio a última página do Público e os bons cronistas que lá escrevem. Ontem, como era quinta-feira, foi impossível: "Pois é, não havia provas, mas havia infindáveis indícios..." Quer ir pela Estrada de Benfica ou pela da Luz?" pergunta-me o do volante; sem perguntar pela rota, o da crónica dizia o mesmo. Ora, 835 suspeitas não fazem, necessariamente, uma culpa e 279 hipóteses não fazem, por si, uma prova. Por andares 320 quilómetros para o Porto não quer dizer que chegaste a Aljustrel, João Miguel Tavares. Deixa-me dizer-te que não só a quantidade não transforma sempre a qualidade,como, às vezes, uma só quantidade qualifica. Por exemplo. ontem só criticaste uma vez "aqueles fazedores de opinião que durante anos e anos defenderam José Sócrates contra os ataques ad hominem. Foi só uma vez, mas o suficiente para te dizer que és um pedaço de asno".